Mudança de rumo

Eu vivia ameaçando, aqui mesmo pelo blog, voltar à carreira acadêmica. Escrevia aqui porque era realmente algo que eu pensava. O motivo pode ser resumido numa frase do True Detective: “A vida mal é longa o suficiente para ficarmos bons em alguma coisa. Então cuidado com o que você vai se tornar bom”. Há muito tenho clareza de que não tenho o temperamento e nem a vontade para ser professora universitária. Mas todavia contudo, foi pra isso que fui treinada durante toda minha vida e faço com competência. Então é duro dar cabeçada em outras áreas, começar sabendo que o tempo está contra você, sendo que há algo em que você é bom logo ali. Por isso minha tendência a voltar. Lembra da comunidade do orkut “Se nada der certo, eu viro hippie”? A minha versão era “Se nada der certo, eu volto para a carreira acadêmica”.

Aí na última vez que escrevi aqui sobre carreira acadêmica, uma leitora me mandou um email muito carinhoso. Ela me falava da possibilidade à sério, que se eu realmente quisesse, poderia procurar outro orientador, outras instituições. Falava das bolsas, do dinheiro gasto com livros e congressos, do investimento e da satisfação. No e-mail dela, eu percebi o entusiasmo por esse caminho. Entusiasmo que eu não tenho. Foi ali, naquele e-mail, que eu decidi parar. Chega de achar que carreira acadêmica é rota de fuga; não consigo e pronto.
Qual não foi minha admiração e surpresa quando o Alessandro lançou seu site onamoradodealuguel. Para quem não sabe, o Alessandro é um desses poucos blogueiros muito competentes que consegue viver de internet. Ele é jornalista formado, já trabalhou na área, e quando percebeu que dava pé, passou a viver dos seus rendimentos de adsense. Pra quem não sabe, adsense são essas publicidades que aparecem nos sites, e rendem alguns centavos de dólar ao dono do site quando vocês clicam. Você não navega por aí clicando em publicidade, né? Nem eu. Ou seja, tem que ter muita visita e muito clique pra conseguir dinheiro com isso.

Aí um belo dia o google manda uma cartinha para o Alessandro (chuto que foi assim, porque já recebi cartinha também) dizendo que ele violou uma das políticas da publicidade em sites e o suspende. Ou seja, o google tirou dele sua fonte de renda. Ele comentou, disse que estava pensando numa alternativa, e um dia depois já estava com o projeto do namorado de aluguel. Fiquei de boca aberta. Eu, no lugar dele, já ia começar a mandar currículo para jornais. Ele disse várias vezes que não quer voltar a ter um emprego, mas quem é que consegue manter a convicção quando a água bate na bunda? Ele conseguiu. Ele levou um dia pra aceitar, pensar nas suas prioridades e bolar algo que combinasse com ele. Processo que eu levei anos para fazer. E tem quem nunca faça.

(Depois o google voltou atrás. Mas o site continua e a reflexão também)

Constrangimento

É raro termos amigos muito mais alguma coisa do que a gente. Por isso, quando o amigo muda de status e a gente não, fica aquele clima. Como ficou com as minhas melhores amigas quando eu conheci o Luiz; éramos 5 amigas, uma delas namorava firme e só eu e a Jane não queríamos casar. Resultado: eu fui a primeira a casar depois da que namorava firme. Depois foi a Jane, claro. Foi muito esquisito. Elas encontravam um homem e perguntavam “então, ele é Ele?” E a outra respondia “ele é legal, mas ainda não é Ele”. Eu tirava onda e dizia que esse negócio de ficar falando d´Ele parecia algo meio de divindade. Aí eu achei o meu Ele e elas continuaram solteiras durantes muitos anos.

O ano passado todo, tenho certeza, foi um constrangimento para os meus amigos. Da minha vida universitária cheia de possibilidades, eu fiquei 1 ano desempregada. Eu nem tocava mais no assunto, porque chega uma hora que a gente não tem o que dizer. Eu os procurava pra me divertir, por isso não ficava choramingando. Eles, muito gentis, evitavam falar dos seus progressos profissionais pra mim. Um constrangimento, sem dúvida.

Estou escrevendo este post porque uma amiga muito muito querida acaba de sair desse limbo – a Ana Paula. Ela, como eu, passou o ano inteiro procurando emprego. Dizíamos que éramos as únicas que podíamos procurar pra ir no cinema quinta-feira no horário promocional – coisa que não fazíamos tanto assim, porque desempregado tem tempo mas não tem dinheiro. Quando entrei na dança este ano, me senti realizada e (confesso!) não tive muita coragem de dividir isso com ela. Oras, eu sabia mais do que ninguém o quanto a gente se alegra e ao mesmo tempo fica triste quando a vida dos outros anda e a da gente não.

Enfim, estou MUITO feliz! Párabens, Ana!

Sofrimento filho da puta

Estou sofrendo e não é pouco. Nem tem muito o que dizer sobre isso, vai ser banal. Esse intervalo – que parece eterno – entre a minha segunda faculdade e um futuro emprego está me matando. Na última vez que passei por isso eu fiquei deprimida durante mais de 6 meses, engordei muito (deve ter sido uns 10 kg, eu me recusava a me pesar) e comecei outra ocupação… que até hoje não me remunera. Tendo dizer pra mim mesma que agora a situação é totalmente nova, mas vai convencer o inconsciente disso…
Acho que só estou escrevendo isso porque preciso explicar pra algumas pessoas que quando eu fico mal eu me fecho. Normalmente meus amigos enlouquecem, acham que é algo pessoal, pedem explicações que eu não sou capaz de dar. Aí uma crise pessoal se transforma em uma crise de amizade e eu perco o amigo. As pessoas pedem uma palavra, um gesto, e sou incapaz de qualquer coisa agora que não seja ficar trancada.

É, eu sei que amigos são pra essas coisas, mas eu sou do tipo que não consegue pedir ajuda. Não consigo chorar por aí, não consigo deixar de tratar bem as pessoas, não consigo, não consigo. Eu achei que conseguiria voltar pro orkut e falar com meus amigos e voltar a me sentir a Fernanda de sempre, mas eu não consigo e não consigo. Até rolar alguma coisa, não tem muito o que fazer a não ser tomar Rescue e suportar esses médios e baixos.