Uma mulher para empurrar

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No filme sobre Gonzagão, ele fala para o filho, Gonzaguinha, algo como “mulher é como batida de automóvel, ela que empurra o homem para frente”. No caso de ambos, uma excelente administradora para a carreira de um e uma péssima madrasta para outro.

“Meu filho teve uma fase que só namorava mulherão”, ela me contou. O mais bonito de uma prole bonita, sempre chamou muita atenção, e escolhia as mais mais. Um vizinho morria de inveja, dizia que era desfile. “Não serviam para nada, apenas para serem bonitas”. A mãe alertou que ele não iria para lugar nenhum com aquele tipo de mulher. Ele amadureceu e parou.

“Eu tive um amigo que tinha uma noiva que tinha sido capa da Capricho. Sofreu um acidente de carro e foi parar na U.T.I. Ela nunca o visitou. E pensar que eu ia casar com ela, ele me disse”.

Além desse caso do amigo, eu poderia falar sobre aquela que é a pior união que eu conheço, a que fez a frase do Gonzagão fazer todo sentido para mim, só que no sentido negativo. Mas era pessoal demais pro horário.

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Um critério

O que é verdade ou mentira, certo ou errado, eu já não sei faz tempo. Acredito que existem versões, algumas tão bem contadas que nem conseguimos mais analisar os fatos. Eu acredito na fascinação, no erro, na ignorância, e até mesmo no mudar de ideia. Experiências radicais podem nos fazer compreender em poucos dias o que ignoramos a vida inteira. Nunca é tarde para escolher o novo, mas também não tiro a razão de quem aceita o garantido. O que serve para o outro não apenas pode não servir para mim, como também pode nem servir para o outro daqui a algum tempo.

No meio de tantas dúvidas e relatividades, fica difícil decidir. Falando de amor, já que as últimas postagens falam de amor: como saber o que fazer, o que vale a pena, o que pode ser perdoado, o novo ou o antigo? Arrisco aqui um critério, que seria ótimo se pudesse valer pra tudo. Mas a gente escolhe o lugar onde mora pelo que dá, o emprego pelo que rende, a família a gente não escolhe… então que pelo menos no amor possamos dizer: eu vou pelo que me dá alegria.

Critérios pessoais de sucesso

A vida da pessoa pode estar gritando sucesso, nos critérios que comumente usamos, como dinheiro, carros, imóveis e puxa-sacos. Mas eu sou incapaz de acreditar na realização pessoal de alguém chato, estressado, mala, prepotente. Pra mim o sucesso tem a ver com um fazer… adequado? Tem a ver com a difícil equação de agir conforme o tempo, a capacidade pessoal, o desejo e a consciência. Mal e mal a gente sabe se conseguiu isso na própria vida, quanto mais na dos outros. Mas tem algumas pessoas para quem olho e me parece que elas devem ter conseguido.

 

-> Aquelas pessoas que quando o assunto profissão surge, falam sem pensar, na cara, chocando os presentes com a espontaneidade da declaração: eu amo meu trabalho. Não é: “olha, minha profissão é legal a maior parte das vezes, tem dias e dias”. Eles dizem com todas as letras: AMO. Nem se importam com o constrangimento que causam. É como aquelas pessoas que esfregam na nossa cara que encontraram um namorado rico, bonito e apaixonado. Farinatti é esse tipo de gente.

 

-> Tem aqueles que trabalham com coisas que não tem nada a ver com uma vocação no sentido mais profundo e têm total consciência disso. É um trabalho que não define quem a pessoa é, tanto pro bom quanto no ruim, ou seja, não causa vergonha e nem a torna terrivelmente orgulhosa. Nunca é trabalho insuportável – porque isso contaminaria todo o resto – mas lhe permite viver com o conforto necessário e lhe dá liberdade. E com essa liberdade, elas fazem o que realmente amam. Pode ser cozinhar, viajar, cuidar de gatos. A parte mais difícil talvez seja justamente essa – saber o que fazer, se tiver tempo e dinheiro.

-> Pessoas que sorriem muito. À exceção do Coringa, quem sorri muito necessariamente é feliz.

-> Velhinhos interessantes. Aqueles que você consegue enxergar o jovem que ele foi um dia, que conserva um sorriso maroto por debaixo das rugas. São as mesmas rugas e gestos mais lentos de uma pessoa de idade, mas quando você para pra ouvir se surpreende. A pessoa conta que foi corista, que viajou pelo mundo, que largou tudo por amor, que participou da Resistência. Mas você só descobre se começa a conversar, porque velhinhos que contam sempre a mesma história e são carentes por atenção são outra coisa.