Camus e a moralidade

Nas primeiras vezes que eu vi falarem em comunismo e socialismo nas discussões na internet, eu não achei que fosse sério. Achei que fosse um comunismo entre aspas, com muitas críticas, um comunismo como forma simplificada de definir algo como um humanismo, um desejo maior por justiça social, algo do gênero. Porque me parece totalmente inviável que se abrace o comunismo não apenas após as experiências da URSS ou da China, mas porque mudamos muito profundamente nesses anos. E essa mudança me parece exemplificada no que esta professora diz sobre o afastamento de Camus do círculo de intelectuais franceses:

Não eram apenas os intelectuais franceses. Este senso de sacrifício algumas vezes recaía apenas sobre a costas dos outros mas que muitas vezes implicava a submissão da vida a um ideal. Somente ele explica Olga, Marighella e tantos outros que lutaram empunhando bandeiras. A ideia de sacrifício também estava presente na postura intolerante da esquerda que achava o governo Jango conciliador demais. Quando a situação ficou insustentável, o governo paralisado e o cheiro de golpe no ar, essas esquerdas ficaram felizes porque acreditavam que uma crise intensa poderia desencadear o levante da classe operária que eles tanto sonhavam. Hoje a gente tende a dar razão ao Camus, porque somos mais carpe diem, a vida é uma só. etc. E de vida em vida, vimos muita gente morrer e o mundo ideal nunca chega.

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