Um pequeno detalhe

Eu gosto de ambientes bonitos, sabe? Tanto que tive assinatura de Casa Claudia durante anos, na ilusão de que isso me tornaria capaz de ter uma casa casa feito pelo Rosenbaum só de visitar a Leroy Merlin e praticar bricolagem. Aí eu percebi que tudo ficava lindo diante de um janelão com vista para um jardim temático, e passei a me interessar por revistas de Arquitetura & Construção. Adoro lojas de material de construção, adoro ver porcelanas. Passeio por esses lugares e escolho linhas de metais para banheiros que jamais usarei. Já fiz vários projetos mirabolantes para a minha própria casa, e todos ficaram lindos na minha imaginação. Essas coisas todas me fazem dizer que farei faculdade de arquitetura. Minha terceira faculdade, o que é que tem?

– E como é que você vai fazer com cálculo diferencial?

Responde meu marido estraga prazeres. Só porque eu não consigo calcular nem o troco do ônibus se não olho para os meus próprios dedos. Digo que não posso fazer decoração, simplesmente, pelo mesmo motivo alegado pelo meu irmão (que é arquiteto, mas da área de urbanismo) “Se você é decorador, vão perguntar se você também faz cafezinho. Se você diz que é arquiteto, aí sim as pessoas vão respeitar”. Por que minha genialidade tem que estar limitada a esses pequenos detalhes numéricos? Proponho a volta aos moldes antigos da arquitetura, de como era antes da descoberta da perspectiva – farei maquetes do que eu pensei e a gente faz mais ou menos o que está lá… (descobri isso vendo History Channel)

– Oras, você calcula pra mim. Pra que serve casar com um engenheiro?

Meu sonho é ser Niemeyer. Eu direi – “Ó, tive a idéia de fazer uma grande construção em forma de olho, em cima de uma base amarela fininha. Calcula aí, Luiz!”