Ciência comportamental

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Eu lembro bem do primeiro dia que tivemos aula sobre behaviorismo radical. Numa cena de filme fantástico, as carteiras voariam, as pessoas rasgariam as roupas, comeriam os livros. O fato de ter sido ministrada por uma psicanalista, obviamente odiando tudo aquilo, torno ainda mais dramático. Com a teoria freudiana estamos todos mais ou menos acostumados, mesmo sem dominar. Sabe como é: ego, culpa, consciente e inconsciente. Já uma teoria que diz que não devemos buscar explicações nessas “viagens” e sim no comportamento observável… ninguém lá estava preparado. Skinner, o Freud do Behaviorismo, provocava: tudo pode ser explicado pelo comportamento, até mesmo os pensamentos. Tudo, ele tem essa ousadia de dizer que tudo? Não podia ser, que absurdo, reduz a pessoa a um… a apenas… como se! “O pior é que funciona”, dizia a professora num misto de provocação e conformidade. Melhor terapia pra resolver um problema concreto. Você pode tentar tratar uma fobia como o pequeno Hans, o caso clássico do menino com medo de cavalo, que aí entra no tamanho do pênis do cavalo, na fase do desenvolvimento que ele estava, como é o complexo de Édipo masculino… ou você pode identificar a fobia, seus desencadeadores e fazer uma exposição gradual. Pá bum. Nem todos ficaram chocados, alguns acharam que até que fazia sentido, e tão mais prático… Psicanálise e behaviorismo talvez sejam os dois grandes times dentro da psicologia, os opostos mais radicais da régua. 

“Não se pode dizer” – algum dos livros de behaviorismo que eu estudei exemplificava – “que a melhor obra de Shakespeare seja a que ele não escreveu”. Eu nem pretendia escrever na época, mas lembro que essa frase doeu. Pense no gênios, nas pessoas que admiramos. Perdoamos e até gostamos de todas as suas esquisitices porque acreditamos que foram elas que os levaram às grandes obras. Tire as grandes obras e o que sobra? Um velho descabelado mostrando a língua, um matemático virgem, um baixinho tão meticuloso que dava pra ajustar o relógio com os horários de saída dele. A grande lição que eu tirei com o behaviorismo talvez seja: faça e, assim, se valide.