E por falar em uísque…

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Ele era motorista de uma empresa e vendia uísque falsificado para casas noturnas. Para elas, dizia que era um uísque que comprava do Paraguai, mas na verdade ele vinha de São Paulo. Uns caras falsificavam embalagens e envasavam. Quando levava para os compradores, tinha que ter cuidado até para não balançar a garrafa, senão o conteúdo fazia bolhas. Os quarenta reais que os clientes gastavam em uma única dose era o mesmo valor da garrafa para os donos dos bares, e dos quarenta, dez ficavam com ele – sabe lá Deus o preço de custo para o pessoal de São Paulo. Com o valor do contrabando, muito maior do que o seu salário, em seis meses o motorista pode quitar a sua casa e o carro. Numa noite, um completo estranho bateu à sua porta, dizendo que soube que ele vendia uísque falsificado e queria comprar dele. Desconfiado, o motorista negou tudo, fechou a porta na cara do sujeito e passou a noite em claro. Só poderia ser a polícia, que descobriu o seu esquema. Decidiu ali se conformar com que já havia ganhado e que o excesso de ambição poderia lhe custar a liberdade. No dia seguinte, voltou a ser apenas um motorista.

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