Os chuveiros da diretoria

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O apelido fui eu mesma que criei. No vestiário, os chuveiros do fundo, não sei o motivo, são abertos, o que permitem que as pessoas tomem banho olhando umas para as outras. Os outros chuveiros são fechados. As alunas mais antigas gostam de tomar banho lá, por isso o apelido, eu digo que não tenho cacife para tomar banho com elas. Claro que é bobagem, e apesar das pessoas se apegarem a lugares, eu poderia ter me apegado a um daqueles chuveiros também. Não o fiz com a desculpa perfeita que os banhos ali são muito demorados, porque as conversas vão se alongando. Do meu chuveiro fechado, poucos passos dali, capto algumas palavras: “absurdo”, “Lula”, “esse país”, “ladrões”. Mais do que as palavras, o que eu capto são os tons furiosos. Saem de uma aula relaxante, vão para chuveiros quentinhos e de água abundante, e quando vão se trocar o volume da indignação já está lá no alto. Esse país, o Lula, que absurdo, ladrões!

Um dia estava como sempre ouvindo só os rumores dos banhos da diretoria, captando os tons indignados, etc. Quando saí, descobri que o motivo da vez nem era o Lula e sim o fato de não ter lixeira especial para lixo reciclável no nosso banheiro.

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Curtas, digamos assim, mais biológicos

a felicidade vem de dentro

Desde que troquei uma obturação enorme, esse dente ficou sensível ao frio de uma maneira que a pasta de dentes sensíveis (que uso desde que coloquei aparelho pela primeira vez) não dá conta. Aí fico com dúvida se mudo para a comum ou se há níveis maiores de dores que eu não estou sabendo.

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Já que toquei no assunto, sabe aquelas pelinhas perto da unha, ou aquelas lasquinhas nos cantos? Por causa da aparelho, não consigo mais tirar com os dentes. Aí fico futucando aquilo até tirar nacos de carne. Ou até chegar em casa.

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Agora sobre barateza: precisava de um sabonete íntimo e achei um da marca do supermercado, que além de já custar mais barato, estava numa super promoção. Adivinhe: nunca tive coragem de usar.

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Não pegar friagem nas partes baixas é um conceito que passou a fazer todo sentido pra mim depois que eu coloquei DIU.

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Sabe a gente come algo que solta o intestino e vai várias vezes ao banheiro? Chega um certo ponto que você sabe que aquele cocô não é do dia anterior, porque já foi. Eu fico olhando para eles e tentando imaginar a data – seria este o junkie food de 2003?

Na fazenda ou numa casinha de sapê

… pelos campos, a poucos metros da vaca, por dois motivos: primeiro, porque eu tenho medo de vacas. Nunca fiquei perto de uma, vai que ela me dá um coice ou algo assim. Depois que é pra não intimidar e atrapalhar seu longo processo digestivo. Ou seja, dar uma privacidade. Eu não faço a menor ideia de quantas vezes por dia elas defecam. Então eu estaria perseguindo-a discretamente, a uns metros de distância. Levaria comigo um livro, um não muito bom (Ulisses não, muito pesado), que é pra entreter mas não demais. Aí, em um determina momento, pelo cantos dos olhos – e também pela audição e o olfato – ela perceberia que ela fez cocô. Rapidamente descalçaria minha bota, minha meia e correria em direção a ela (espero que vacas, tal como os cães, se afastem imediatamente da sua bosta assim que as produzem) e PLOF, enfiaria o pé com gosto. Até cavocaria com os dedinhos, na intenção de que penetrasse mais profundamente.

Este foi o pedaço do post que pensei, de madrugada, na fazenda, enquanto estava insone. Fui parar lá porque o Alessandro comentou que ia aprender construir casa com as próprias mãos, num curso que incluía yoga e comida; achei a programação duca e me inscrevi impulsivamente. Além do mais, seria no feriado, e costumo detestar feriados. Só depois me ocorreu que eu poderia ficar meio deslocada, já que ia de gaiata com um grupo de amigos que eu desconhecia e pra um tema que não ter nada a ver comigo. Mas, enfim, já era. Naquela madrugada, eu havia acordado com a burocrática vontade de fazer xixi, o que em casa não é nada demais, e lá adquiriu contornos dramáticos. Tinha dois banheiros coletivos, usados indistintamente pelos homens e mulheres da casa e com portas que davam para a área comum. O mais longe era mais arrumadinho; mas em ambos o chuveiro molhava tudo em volta. Tomar banho era atravessar a grande área comum da varanda, tomar cuidado na hora de tirar e colocar a calça pra não molhar a barra, apoiar tudo o que podia nos pregos das portas. E de madrugada, além de pegar um banheiro que havia sido muito usado, ainda tem os bichos. A madrugada é deles, qualquer um sabe disso. Na primeira noite, abri a porta do banheiro com toda cautela e, assim que tentei fechar, uma rã bateu com tudo no meu tórax. Claro que eu gritei e saí correndo, e tive que mijar no mato. Na segunda noite, essa que descrevi no início, tentei segurar e por isso não conseguia dormir. Aí fiquei pensando no que escreveria assim que chegasse em Curitiba. Porque escrever foi a primeira coisa que senti falta quando estava lá. Foi como estar desconectada, como não saber o que estava sentindo. Nem levar um caderno teria resolvido, porque eu preciso digitar. Quando ouvi dizerem que esterco é muito bom para micose a minha imaginação voou, apesar de eu nem ter micose. Quis descrever a cena, pensei em como dar um efeito cômico, que termos usar,. A relação desse pessoal de fazenda com esterco é bem diferente da nossa: “vou aproveitar que a gente vai misturar a terra com esterco e pisar descalço, que aí já me cura de qualquer coisa que eu tenho no pé”. Esterco limpa o organismo, serve de repelente natural para as construções, ajuda a fazer massa. Tudibom. Vou confessar a vocês: ajudei a erguer parede com terra, grama e esterco, e me diverti muito. O cheiro nem é mais incômodo depois de um tempo. Achei tão bom que até quis saber se cocô de cachorro tem o mesmo efeito. A resposta é não.
Depois a vontade ficou forte demais e tive que acabar fazendo o xixi. Com a mente aliviada, passei a achar que não valia a pena escrever o post do Tratamento para micose (esse seria o título) porque não tinha tanta graça assim. Foram poucos mas intensos os dias de imersão na vida da fazenda: dormi em quarto coletivo com beliches, andei de bota entre os matos, estive no meio de estranhos o tempo todo, abri mão da vaidade e usei sempre as mesmas roupas enlameadas, ajudei a levantar paredes com a terra, comi muito e bem. E trouxe comigo uma descoberta muito importante a meu próprio respeito: banheiro coletivo não dá.

Pelados

Uma vez eu disse que era muito velha pra ter pudor de tirar a roupa. Sim, tem essa conotação sexual, mas também tem todos os vestiários que eu frequentei, todos meus exames ginecológicos, todas as provas de roupas em costureiras, todos os camarins e mudanças de roupas que na falta de lugares mais adequados tiveram que ser por ali mesmo. Se o homem que estiver perto de mim for gay, mesmo que dentro do armário, também não me constranjo. O que me constrange na verdade é o constrangimento dos outros. É muito chato a situação exigir e a pessoa quase tapar os olhos com as mãos quando te vê tirar a blusa. Não tenho nada de muito diferente do que você já viu, eu garanto.

Mas – que fique claro – não ter problema em tirar a roupa não é o mesmo que andar peladona por aí. Quando mudei pra minha casa, adorava ficar o mais pelada possível. Aí era um deusnosacuda cada vez que vinha um carteiro ou alguém aparecia na porta, até que eu cansei e acho mais prático ficar vestida. Vestiários de academia são lugares delicados nessas sutilezas de boas maneiras. Tem mulheres que colocam a toalha na cabeça e saem nuas, como se estivessem na sua própria casa. Ou que fazem tranquilamente todo o seu ritual de hidrantes e óleos pelo corpo. Já vi tanta peladona no banheiro que até aprendi a distinguir quem fez lipo ou não, mesmo que seja há muito anos – tem o formato, os furinhos… E mais: já vi tanto silicone que me sinto até o Dr. Rey: acho tudo igual, enjoei, o natural é sempre melhor. Silicone é sempre aquela bolota inchada e dura, posso dizer que perdi o tesão na coisa. Usar o secador vestindo apenas lingerie eu entendo mas também não acho legal. Só que nada do que eu falei se compara ao que me disseram que acontece no vestiário masculino da academia que eu frequento: tem um fulano que senta pelado na pia, ergue a perna e passa o secador no saco. Visão do inferno.

Síndrome do portão

Em poucas palavras, é aquela vontade irresistível de ir ao banheiro quando a gente avista o portão de casa. Ou seja, você está tranquilo, a caminho de casa, com uma vontadezinha de ir ao banheiro. Geralmente o número dois, porque se fosse apenas o número um não precisava esperar pra chegar em casa. Mas é uma vontadezinha tranquila. Só que aquela vontadezinha se transforma monstruosamente à medida em que você se aproxima de casa, e quando está na porta já é necessário andar com as pernas juntas. Tudo porque você sente que está próximo de finalmente se soltar.

Eu tenho problemas com a Síndrome do Portão porque a Dúnia tem o hábito de passear quando eu chego em casa, esteja eu no humor ou estado fisiológico que estiver. Independente de questões banheirísticas, tenho percebido que a Síndrome do Portão tem uma alcance muito maior. Basta um aviso-prévio, uma data marcada ou uma mudança muito desejada pra começarmos a sofrer disso. À medida em que a data se aproxima, ficamos com mais vontade de nos soltar. Dá vontade de dizer umas verdades pra uns, nem olhar na cara de outros. As pessoas de sempre, as piadinhas de sempre, tudo irrita. Pequenos incômodos nos parecem intoleráveis. É difícil manter a civilidade, é difícil não ir logo embora quando sabemos que vamos embora.

Conversa no banheiro

Nem o fato de ser bailarino faz a família do meu amigo desconfiar que ele seja gay. Talvez por serem evangélicos, seus pais crêem que ele durma na casa de amigos somente porque mora longe. Numa balada, ao ir no banheiro, meu amigo foi abordado da seguinte maneira:

– (Estranho) Tem alguma coisa que você queira?
– (Amigo) Eu, como assim? Algo que eu queria?
– Sim, você pode querer alguma coisa. Porque se você quiser alguma coisa, eu tenho pra vender. Eu vendo de tudo.
– Ah… (começa a pensar no que pode querer aquele momento. Percebe que está com sede) Eu gostaria de uma bala agora, você vende bala?
– (ríspido) Não, eu não vendo bala. Você gosta de cheirar?
– Ahhhhhhhh! Isso! Não, obrigado, eu não sou chegado nessas coisas!

Até vendedores de drogas têm seu orgulho.

Lugares legais para mijar em Curitiba

Já que Cinco coisas legais pra fazer em Curitiba é um dos posts mais acessados deste humilde blog e que a maior parte dos meus leitores é daqui, decidi ser populista e fazer outro post turístico e de utilidade pública. Se até a piuaí fez uma reportagem sobre banheiros, por que não eu? Vai aqui a lista de onde apelar se você sentir aquele chamado da natureza enquanto estiver passeando:

  • No shopping:

Shoppings são, de longe, o melhor lugar para mijar longe de casa. Eles são sempre acima da média, com papel higiênico e higiene garantidas. Os dois melhores xixis de Curitiba ficam entre o Park Shopping Barigüi e o Shopping Cristal Plaza. Os dois são limpos e bonitos. No Barigüi, o banheiro feminino tem serviço de camareira que fornece agulha e linha e no masculino tem máquina de lustrar sapatos. O Cristal não tem camareira, mas o banheiro tem sofá e é tão bonito que parece que a gente está numa balada. E tem Sentax.

O pior xixi da categoria é* o Shopping Paladium. A sinalização de lá é horrível, então é possível dar uma volta imensa porque as placas não ajudam achar o banheiro. Aí você anda por mais um corredor imenso e acha as pias e lá no fundo ficam as privadas. O banheiro é todo pelado e as lixeiras são de plástico. Nem o trocinho pra deixar o bafo cheiroso (no banheiro perto da praça de alimentação) ajuda a dar um ar menos decadente.

  • No McDonalds

Eu acho que pra uma franquia que ganha tanto dinheiro, os banheiros do McDonalds poderiam ser mais cuidadinhos. Sempre tem papel, é verdade; assim como é muito comum a lixeira estar transbordada. A vantagem é que como muito gente circula por ali, ninguém verifica se a gente é cliente ou não. É entrar e mijar. Tem um no começo da Rua XV e outro mais pros lados da Santos Andrade. Isso sem falar nos bairros.

  • No parque

Não, não estou falando pra fazer na moita. Se eu fosse um blogueirO, quem sabe. Alguns parques tem banheiro com entrada de alguns centavos, como o Parque Barigüi. Isso geralmente garante papel e o mínimo de higiene. No Bosque Alemão, não tem entrada mas o banheiro não é dos piores. Já o banheiro do Parque São Lourenço, da última vez que eu passei por perto, dava pra sentir o cheiro de longe… Já a Ópera de Arame, o Parque Tanguá e o Parque Tingüi, só deus sabe se tem banheiro lá, porque eu não vi.

  • Na biblioteca

Esse foi mais um benefício que o hábito de ler trouxe para a minha vida: descobri que a Biblioteca Pública do Paraná é um bom lugar para fazer xixi. O do segundo andar é menos freqüentado do que o do primeiro. Não só não tem que consumir nada, como tem filmes, exposições, palestras, cursos e ainda dá pra sair com um bom livro! Pra ter dicas de livros, pergunte pro Ale. Só não vale ler no banheiro, porque atrapalha os outros usuários!

Mais alguém aqui quer falar dos banheiros da sua cidade? Então, pode considerar isso como um meme escatológico! 😉

*Errata:
Tinha esquecido do Shopping Estação, de longe o pior da categoria shopping. Dá pra dizer que é um verdadeiro banheiro público: feio, pequeno e fedorento. Se puder, evite!