Vôlei e o score de amor

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Eu odeio vôlei. Poderia escrever um longo post reclamando do vôlei. Odeio tanto vôlei que nunca assisto, que se dane Bernardinho, não quero nem saber, nunca mais fiz um misero saque depois que parei de ser obrigada e de lá pra cá sei que as regras mudaram – na minha época só o time que sacava pontuava, tinha “vantagem” – e nunca aprendi as novas, faço questão de não aprender. Um dos meus traumas com vôlei foi causado pela professora Elisa, minha professora de educação física durante todo segundo grau. A prova de vôlei dela, uma coisa tão absurda que deveria dar direito a denúncia, era assim: cada aluno começava a partida com a nota máxima. Quando a bola caía no chão, alguém era descontado. Geralmente mais de uma pessoa: se caía entre dois jogadores ambos perdiam nota, ou se uma pessoa não defendia bem a cortada, o ponto era descontado dela e de quem cortou. Imaginem que partida emocionante, todo mundo com medo de pegar na bola.

Mas, por incrível que pareça, não foi propriamente o vôlei que me fez lembrar disso, e sim relacionamentos. Não sei se é característico de relacionamentos abusivos, mas me toquei que num par de histórias que conheço e vivi a dinâmica era a mesma dessa prova: a pessoa “amada” começava com pontuação máxima, com os maiores elogios e as características sonhadas. À medida que o relacionamento avança, ela se torna cada dia mais decepcionante, nada daquilo que parecia, etc. O tal anjo caído se esforça pra continuar tão desejável como antes, passa a pisar em ovos, tenta esclarecer, pede desculpas… Só que a pessoa não consegue, os seus esforços são inúteis porque é impossível voltar para a nota máxima. Chame do que quiser, o que sei é que isso não é amor. É um jogo onde só se pode perder.

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Curtas carnavalescas

 

Meu TOC fica aqui apitando quando olho pro blog e a postagem do dia 16 caiu como dia 15 porque o computador cismou errado com o fim do horário de verão.

 

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Verão, creio, que já está morto e enterrado depois de chover ininterruptamente por 4 dias. Sério. Começou sexta no fim da tarde e praticamente não parou. Agora imaginem a situação: sem carnaval, sem ter pra onde ir e sem ter nem sol. Loooooongo feriado.

 

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Hoje fiquei sem internet. A solidão sem internet é solitária num nível que nem me lembrava mais.

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Costura é a melhor coisa do mundo, é uma bênção, é pra toda vida. Não sou e acho que nunca serei uma costureira de mão cheia. Tento um monte de projetos e depois sou obrigada a doar tudo, porque não teria coragem de usar – fica tudo com aquela cara de “fui eu que fiz”. Mas mesmo assim, a costura só me dá alegria. Entretém que é uma beleza e até roupa a gente faz.

 

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Meus manjericões estão com praga. Aparecem uns troços embaixo da folha que parecem uns cocôs e no dia seguinte está tudo comido. Pior que a praga é igual a mim, só gosta de manjericão. Pras salsinhas, aquele tempero horroroso e que quase vira árvore aqui porque eu nunca pego, a praga nem olha. Eu que estava tão acostumada a só comer manjericão fresquinho, recém-colhido…

 

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Outro que fez o meu feriado foi o professor Clóvis. A entrevista dele no Jô é pra dar novo fôlego. Sério, guardem essa indicação como se fosse um remédio. Cliquem num dia depressivo.

Momento Leila Diniz

A pessoa fala e tem que fazer. Fico aqui pregando pela liberdade de se expor e amar seu próprio corpo e depois me escondo? Nananinanão. Saiu veranico, todo mundo suando em bicas e fui lá expor a barriga na aula de natação. Já fiz isso verão passado. Acho que sou a única. Do meu horário, do posterior e do anterior, eu sei que sou. Digo que acho que sou a única da escola inteira. Pense, mulheres de todos os tipos físicos e idades. Minto, ouvi falar que tem uma no horário das 18h. “Uma que dá até ódio, com uma barriga retinha, perfeita”. Bem, ódio de mim por causa da barriga perfeita e lisinha com certeza ninguém tem. Fama eu sei que tenho. Uma vez conversei com uma mulher no banheiro, que nunca tinha visto na vida e ela falou “ah, você é aquela moça que faz aula de biquini?” Ou seja…
O biquíni – feito por mim – é tão grande que tem piriguete que sai mais descoberta do que eu na balada. A parte de cima é um modelo de um top de ginástica e a parte debaixo de uma calcinha grande. Chego na aula na maior, a única, a desinibida, a que vai de biquíni. Faz de conta que eu me acho a top. Faz de conta que não é nada, que sempre fui extrovertida e prafrentex. Faz de conta que não sei que comentam. Faz de conta que não noto os olhares. Faz de conta que não morro de vergonha.
Olha, gente, a revolução exige superação de limites pessoais.

Pazes

Naquela noite minha mochila estava especialmente pesada com o material de costura. Geralmente eu me programo pra fazer algo que não exija muito material quando vou da costura para o flamenco, mas daquela vez eu calculei mal. Fui pelo caminho pensando em que alívio seria tirar a mochila das costas. Bastava chegar na escola – aí eu dançaria, ganharia carona até o ponto de ônibus, iria sentada o trajeto todo e do ponto até em casa é rapidinho. O caminho do ponto até a escola é que é longo. Só que bem naquela noite, justo naquela noite, a aula foi desmarcada. Conseguiram avisar todas com antecedência menos eu. Tentaram me ligar várias vezes. Sempre que pedem meu celular, eu alerto as pessoas que o último lugar pra tentar me encontrar é o telefone, que eu nunca ouço. Lá estavam, as mais de cinco ligações e mensagens. Tentaram também me avisar pelo FB, mas passei o dia longe de computador e não acesso internet pelo celular, então nada feito.

 

Minha vontade foi de dar as costas e ir embora assim que ouvi a notícia. Mas as minhas profes ficaram sinceramente sentidas e quiseram conversar comigo e me compensar de alguma forma. E eu quis que elas não ficassem tão sentidas, que eu entendia o que tinha acontecido, e fiquei conversando com elas um tiquinho. Depois, voltei por todo aquele caminho, com a mochila ainda mais pesada por ser um peso que eu não esperava mais. Nos dias seguintes, ficaria toda dolorida. No caminho, não sabia se calculava como vantagem a uma hora que chegaria mais cedo em relação à programação normal ou as duas horas de prejuízo por não ter voltado direto pra casa depois da costura.

 

Cheguei em casa cansada, com peso nas costas, faminta. E encontrei minha casa escura, inesperadamente escura. Olha, no estado em que eu estava, nem deu pra achar triste, silencioso ou depressivo. Eu só queria tirar aquele peso, aquela roupa, comer alguma coisa, parar. Acho que eu e a casa fizemos as pazes.

Na superfície

Da fabulosa entrevista do Dr. Drauzio no Roda Viva
(Sim, vejo os programas com atraso. Roda Viva on line: melhor coisa pra quando você tem muito tempo livre pra ficar na net.

– O senhor gosta desse ambiente (presídio)? Por que não fazer outra coisa, ir ao cinema, sei lá?

– Porque eu acho que é um ambiente muito rico. Eu acho que isso me deu uma visão, não só da vida, da organização da sociedade brasileira, mas acho que da complexidade da alma humana muito mais profunda da que eu tinha e da que eu teria se não tivesse frequentado esse mundo. Eu acho que é ao contrário, cada vez eu tento penetrar mais fundo, porque é um mundo muito rico. E você hoje na vida moderna, se você bobeia um pouco, você começa a conviver com pessoas que são idênticas a você o tempo inteiro. Pessoas que pensam mais ou menos como você pensa, que usam mais ou menos as mesmas roupas, frequentam os mesmos lugares… isso empobrece muito a visão do mundo. Eu acredito que a vida seja uma só e que no decorrer dela você tenha que ter a experiência mais profunda possível, a mais abrangente que você conseguir.

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Estou em aula. O prof. Bodê lança para a turma a pergunta sobre como a questão da doação de orgãos tinha repercutido nas pessoas, as novas carteiras de identidade que tinha recém surgido, onde era possível discriminar a informação de não ser doador. Eu levanto a mão:
– O porteiro lá do prédio da minha mãe veio me mostrar a carteira nova dele, que ele tirou só para colocar que não era doador. Ele estava feliz. O que ele me disse era que essa doação compulsória era para salvar os filhos dos ricos. Que se ele, pobre, fosse parar no hospital, poderiam matá-lo para dar os orgãos para os outros. Com a carteira nova, ele garantia sua sobrevivência.

Silêncio na sala. A turma há muito me era hostil e tive a certeza de que meu comentário não tinha soado bem quando uma das CDFs líderes ergue o braço e mal esperou a permissão do professor para falar num tom muito irritado, como quem não se continha diante de tanta burrice.
– Claro que não é isso. A questão da doação de orgãos levantou toda a problemática social do imaginário da morte e… [insira aqui uma explicação altamente erudita]

Depois de ouvir a aluna com muita paciência, prof. Bodê delicadamente disse que não sabia dizer a posição das pessoas com relação ao imaginário da morte, mas o que ele tinha sentido era exatamente o que eu disse, que as pessoas tinham medo dos seus orgãos serem retirados em prol dos mais ricos…

Qualquercoisoterapia

Minha amiga Isabel é uma grande cantora e professora de canto. Ela tem um problema que está se tornando cada dia mais comum: as pessoas, sejam elas potenciais clientes, alunos ou donos de escola, a pressionam para dizer que fazer aula de canto é terapêutico. Tem gente que abraça essa idéia é adora falar por aí que cantar é terapêutico, fazer sapateado é terapêutico, escrever em blog é terapêutico, cortar grama é terapêutico. Só que ela acha chato, assim como eu também acharia chato no lugar dela. Cantar é terapêutico? Pode ser. O que fazer aula de canto realmente melhora é a capacidade de cantar – esse deveria ser o objetivo, não? É complicado as pessoas procurarem uma coisa com o objetivo de melhorarem ou modificarem outra. Vamos combinar que aula de canto pode ser terapêutica, assim como ir a padaria também pode ser – tudo depende da disposição de quem faz. Algo que te tire de si mesmo, que te abra a novas relações, que te faça pensar na vida e quem sabe estabelecer alguns vínculos sempre será terapêutico. Nem todo mundo é assim. Uma pessoa pode fazer anos de aula de canto sem mover uma pedra de quem ela é. Outro pode ser tão disponível que encontrará coisas para mudar em si mesmo até enquanto lava a louça.

Meu conselho a todos que procuram atividades terapêuticas é: faça terapia.

Curso con Concha Jareño

Esse vídeo me fascina por vários motivos. A coreografia em si é linda, muito rica, divertida, graciosa. Acredito que ela seja o resultado final de um curso com duração de alguns dias, dado a uma turma avançada. Concha Jareño é uma das grandes bailaoras da atualidade. Uma das minhas partes preferidas é quando logo no início da coreografia ela faz um movimento de ombro junto com o sapateado, avançando enquanto dança. Por mais bonitas que sejam as outras alunas, Concha tem um domínio todo especial do que está fazendo. Mesmo sem saia e mais preocupada em marcar a coreografia do que propriamente interpretar, alguns movimentos mínimos que ela faz de ombro, nos braços, no tronco, fazem com que assisti-la seja mais interessante do que qualquer outra. É o valor do mestre, da experiência e do que há de mais particular em cada baiaor.

Aula

Deu até dó do meu irmão, que passou um ano inteiro estudando muito, passou no vestibular com um score que lhe permitia entrar nos cursos mais disputados, e de repente se ver preso a um curso fraco e com pouca carga horária. O curso de jornalismo era tão ruim que poucos anos depois o MEC ameaçou encerrá-lo. A única coisa que prestava eram as aulas do Cristovão Tezza. As matérias tinham nomes atraentes, e procuravam dar ao aluno noção de diversos assuntos: história, economia, filosofia, sociologia, etc. O problema é que nenhum dos professores dessas matérias eram do departamento de comunicação social. Pra quem não sabe, quando os cursos precisam enviar professores para outros cursos, isso é sempre feito de má vontade. Eles enviam sempre os novatos, aquele professor substituto que ganha mal e acabou de se formar. Os alunos não demoravam pra perceber essas coisas, e num instante todos ficavam desestimulados. Meu irmão passava muito tempo pelos corredores, jogando truco. Quando estava em casa, assistia TV. Ele sabia o nome de todas as moças do programa Fantasia.

Uma dessas matérias desinteressantes era dada nas sextas-feiras, às 7:30. Acordar tão cedo, depois de uma semana inteira, pra uma aula chata… ninguém conseguia chegar no horário. Meu irmão era um dos que chegavam cedo, e quando chegava às 8h, encontrava uma mensagem do professor no quadro:

Cheguei às 7:30 e esperei até às 7:50. Leiam…

E uma indicação de um texto para a próxima semana. Na sexta seguinte, isso se repetia. Às vezes, meu irmão apenas um minuto depois do que estava marcado no quadro. Quando já estava há mais de um mês sem assistir essa aula, ele estava no corredor conversando com os amigos, numa quinta à tarde. Num determinado momento o professor dessa matéria passou por eles, apressado, foi na direção da sala de aula e depois foi embora. Os alunos ficaram curiosos e foram conferir o que havia acontecido. Foram até a sala e encontraram escrito no quadro negro:

Cheguei às 7:30 e esperei até às 7:45. Leiam…

Prazer

Alguém uma vez disse que ninguém é hipócrita nos seus prazeres.

Durante meus quase dez anos de vida universitária, sempre tive problemas com semanas acadêmicas, palestras, encontros, eventos, etc. Enquanto as pessoas a minha volta achavam o máximo, eu tinha horror. Mesmo se fosse um evento de apenas um dia. Viajar pra isso? Nem pensar. Não havia tema interessante o bastante pra que eu não me sentisse fazendo um sacrifício. Achava péssima a idéia de passar o dia inteiro sentada; tinha certeza de que nada seria tão interessante assim. Já me entediava e me aborrecia de antemão pelos atrasos, professores ruins, os conteúdos inúteis e os loucos de palestra. Esses eventos pra mim sempre foram sinônimo de cansaço, desconforto, fome, vida lá fora desperdiçada. Minha casa, meu sofá, minha louça pra lavar, qualquer coisa me parecia mais interessante nessas horas.

Durante uma época eu pensei que meu problema era com a primeira faculdade, cuja profundidade teórica era risível. Na sociologia eu tinha tudo pra dar certo, já que quase tudo – assuntos, abordagens, autores, relatos – é muito interessante. Só que nada mudou. Continuei odiando eventos, fugindo de tudo o que pude, preferindo sacrificar meu currículo pra passar as minhas horas fazendo qualquer outra coisa. Para as poucas palestras que fui, sempre foi com o máximo de má vontade.

No flamenco: estou assistindo a minha aula e umas aulas extras na turma adiantada. Fiz um workshop puxado semana passada e vai ter outro semana que vem. Resultado: estou no céu.


(a morena bonita que aparece no começo do video é Gladis, uma das alunas da Cris que foi dançar na Espanha)

Empata feriado

Passei alguns anos numa turma de ballet só para adultos que nunca chegava a ter mais de dez alunos. Fiz muitas aulas de personal ballet, porque chegava lá e ninguém mais tinha vindo. Por causa disso, sempre que um feriado se aproximava, os professores nos perguntavam com uma certa antecedência quem ia viajar. Porque se não viesse ninguém, eles não se dariam ao trabalho de vir – e poderiam viajar também. Sempre um ou outro dizia que estaria fora, que pra ele tudo bem… e eu era sempre a que nunca viajava. Com o tempo comecei a me sentir a Empata Feriado, a que obrigava a escola a abrir só pra ela.

 

Vendo tantos blogs silenciosos, me sinto de novo aquela que nunca viaja. Poderia inventar algumas desculpas, dizer que gosto de viajar fora de temporada, que é o Luiz que não recebe folga e etc. Mas a verdade é que eu costumo me afastar pouco da minha casa. (suspiro)

Eu sou uma diva!

Neste momento, estou postando maquiadíssima, pois não estou com coragem de tirar a cara mais bonita que já tive em toda a minha vida. Nessas loucuras de amigas, fui parar numa sessão de fotos para fazer poses de Balance e Pilates. Como foi uma sobrinha de uma das fotografadas que arranjou, achei que seria tudo mais amador. Gente, não foi. Fotografo, fundo branco, iluminação, maquiagem profissional, ajustes técnicos. Me senti a própria Bünchen.
Tudo começou com essa coisa de achar as poses da aula lindas. E aquele papo de que um dia tinha que tirar foto, que eternizar, que a Janine que foi bailarina durante tantos anos não tem fotos decentes, e eu que sou escultora… Hoje foi o dia. Se não fosse para fazer entre amigas, ficaria tímida, não teria coragem de mobilizar uma estrutura dessas para satisfazer minha vaidade – todas as fotos são para consumo próprio mesmo. Aff, tenho que reconhecer: satisfazer a vaidade é óóóóóóóóóótemo!

Vida de modelo não deve ser fácil. A maquiagem é pesada, mas lindíssima. Tirei fotos no meu celular agora e tudo saiu milagrosamente lindo. O fundo é um pano, que escorrega, amassa, amarfanha e tem que ser constantemente ajeitado. Some tudo isso com poses complicadas! Na hora de tirar as fotos, é esquisito não saber direito o que se está fazendo. Ergue o braço, vai mais pro lado, faz pescoço de tartaruga, relaxa o rosto. Enquanto isso, todos te olham, te corrigem, comentam sobre mil coisas e a luz vai mudando. Às vezes você tem que ficar parado enquanto puxam a blusa, ajeitam a mecha, arrumam o fundo.

Acho que vou aproveitar uma das milhares do fotos lindas que tirei no celular pro meu avatar do orkut. Pro blog vai só a foto que tirei hoje da Dúnia, feliz porque ia passear. Sim, eu sou má – aqui, nada. Quem manda cometer orkuticídio, cara leitora?