Você já notou…?

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Nós fomos tomar café, fizemos os nossos pedidos e antes mesmo de nos sentarmos na mesa ela me pediu desculpas, pois teria que buscar alguma coisa no carro. Eu me sentei com o meu café e o meu salgado, as coisas dela ficaram esfriando na mesa. Aí ele se sentou também, veio uma terceira em outra mesa, acabamos os três conversando um pouco. A terceira pessoa foi embora. Minha amiga voltou e olhou para ele. “Você já notou”, ela me perguntou, e estava querendo dizer “que ele fica me olhando” e eu respondi que sim, mas se ela realmente perguntasse eu lhe diria que ele a olha, e para mim, e acredito que para toda e qualquer fêmea que passa perto dele. Mas aparentemente ela julga que ele a olha exclusivamente. Então ela se sentou de uma maneira tão empinada e arrogante como nunca fez, de um jeito que eu jamais a havia visto fazer e nem seríamos amigas se aquilo fosse constante. Por entender que aquilo era para ele, eu me vi ali, muitas vezes também empinada e arrogante, indignada por aquele homem ter a ousadia de se interessar por mim, um desinteressante, sem chances, quem ele pensa que é e que eu sou. Senti vergonha.

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[post deletado]

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Escrevi porque estava me incomodando. Porque acordei pensando, fiquei sensível, me levantei pensando, me doendo e escrevi. Escrevi e depois tirei a parte que usava um termo mais claro. Começava com um exemplo bem racional, colocava uma posição sobre o assunto e em seguida eu dizia que não dava, que por mais que soubesse a posição racional não era assim que estava por aqui dentro. Tinha desabafado. Não iam interpretar errado. Quem sabe nem chegasse lá. Se chegasse, ia ser por uma pessoa que gosta de mim e que não seria maldosa no resumo. E, mesmo se fosse, iriam conferir. Veriam aquele primeiro parágrafo racional, eu apaguei a palavra pesada. Não é uma empresa e um monte de gente maldosa, cobras, é outra relação. Não iam maldar. Ia continuar tudo bem, é o meu espaço. Todo mundo na mesma situação ficaria assim. Eu teria empatia. Depois de um dia inteiro meio doendo e olhar para o vazio, tive que sair, pedindo aos céus forças para fazer uma cara boa e fingir um bom humor que não era o meu no dia inteiro. Horas depois, cruzo a porta de casa, completamente outra. Post deletado. Pra quê. Como o Kibe me aconselhou uma vez e com uma sabedoria incrível: não deixe que percebam que você sentiu o golpe.

Rei Davi

O estranho é que eu conheço a música não apenas por causa do Shrek, mas também porque a Anne comentou sobre ela no blog, dizendo que amava a versão do Rufus. Lembro que gostei, que fui atrás, até gravei num CD. Mas quando ela foi compartilhada há poucos dias no meu facebook, na versão de Choir! Choir! Choir!, foi como se eu a tivesse ouvindo pela primeira vez, e fui atrás da letra e foi como se estivesse a par do que ela dizia pela primeira vez. Ao contrário de quase todo mundo que eu conheço, a Bíblia nunca foi a referência religiosa da minha casa; conheço as histórias bíblicas por uma questão de cultura geral e nunca pelo viés da fé. Talvez por isso, a história do arrependimento do Rei Davi nunca fez sentido pra mim. Sempre achei uma solução fácil demais, fazer tudo aquilo e depois que alguém joga a verdade na sua cara, “puxa, é mesmo, errei”, faz dancinha e está tudo resolvido. Hallelujah é tão bonita que nos coloca na carne do rei. Agora o arrependimento do Rei Davi não apenas faz todo sentido pra mim como me é muito próximo. Que música!