Dúnia

Pra não deixar a história sem final, aqui vai o que aconteceu com a Dúnia:

Eu e o Luiz, revoltados e inconformados, começamos a entrar em contato com alguns locais para dar a Dúnia para adoção. Nem pensamos em procurar abrigos de animais – tenho uma amiga que trabalha em ONGs de cachorros (ela que me arranjou a Dúnia) que me contou que os cachorros abandonados, por mais bem tratados que sejam, morrem em 1 mês, de depressão. Ligamos para o hotel onde a deixamos quando fomos para São Paulo. O dono nos perguntou – tem certeza? Ele e a esposa gostaram muito da Dúnia, e tiraram uma das poucas fotos já adulta que ela tem. Um colega de trabalho do Luiz indicou outra pet shop.

Nesta pet shop, o veterinário, depois de muita conversa, nos convenceu a procurar um adestrador. Esse adestrador foi sargento e adestrava os cães do exército. Como desde o incidente a Dúnia já não dorme dentro de casa, as coisas ficaram mais fáceis. No começo, nem conseguia olhar para ela. Depois, olhando foto, olhando-a de longe, olhando aquele olhar carente que ignorava o motivo da minha falta de carinho, decidimos tentar mais alguma coisa.

A Dúnia sempre foi enlouquecida, hiperativa, com dificuldade de aceitar limites. Dizer não pra ela é a mesma coisa que dizer “quando você não estiver mais a fim, você pára, tá bom?”. Quando castigada, ela se sentia provocada, começava a brincar e fazia de novo. Tentar passear com ela é pedir pra se estressar, de tanto que ela se debate pra colocar o peitoral. Na rua, ela tem medo de tudo, principalmente de cachorros. Ela é um pouco maior que um cocker, mas morre de medo até mesmo de yorkshire.

O adestrador nos contou que até os 60 dias, a mãe é que dá limites à ninhada. Como a Dúnia tinha certa de 30 dias quando foi abandonada, ficou com essa etapa faltando no desenvolvimento neurológico dela. Por isso tantos medos, por isso a dificuldade de ter limites. Ela não sabe viver entre os mesmos da sua espécie por ter ficado sozinha muito cedo, ela não se reconhece como cachorro. Além dela ter sido abandonada, tivemos que passar muito tempo com ela trancada em casa, por causa das vazias, e por ela ser muito f’rágil no começo (bem no começo!!!!)

Ele disse que pode ensiná-la a ter limites e diminuir bastante esses traumas. Que ela tem como pontos positivos ser claramente uma mistura de pastor alemão, muito inteligente e afetuosa (o pessoal da pet shop a adora). Caso não consiga adestrá-la, ele se comprometeu a arranjar outro lar para ela. O que sei é que desde que soube dos problemas da Dúnia, morro de dó. Chego perto dela e penso – Minha pobre Dudu, é traumatizada!!!! :’o(

Hoje começa o “serviço militar” da Dúnia, que vai durar de 15 a 20 dias. É difícil acreditar que aquela cadela enloquecida vai parar de fazer o que quer que esteja fazendo só de ouvir um não

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