Amor (ou pelo menos tolerância) no coletivo

i created it myself

Eu passei dias pensando no tema, mas achei que vocês iam me matar se eu viesse aqui dizer que o segredo da popularidade é gostar das pessoas. Cheguei nisso assim: eu li o Como Fazer Amigos e Influenciar as Pessoas na adolescência. Lembro até hoje do olhar de pena da funcionária da biblioteca. Mas o meu interesse foi muito menos puro do que o de ser popular e sim de entender o mecanismo. Só lembro agora da regra que dizia que é muito importante lembrar do nome das pessoas, porque para elas é a palavra mais bonita do idioma. Ele é cheio de regras que fazem muito sentido quando as lemos, mas lembro que minha popularidade continuou a mesma na época que tentei aplicar. Acho que eu não soava sincera.

Com o tempo, meu relacionamento com as pessoas foi melhorando e acho que aplico ainda menos as regras do que antes. Eu levo muito tempo para aprender nomes e os desaprendo num instante. O que eu acho que aconteceu é que passei a gostar mais das pessoas – desde aqueles com quem tenho afinidade ao fulano que nem olha pra minha cara. Eu tento entendê-las nas suas razões. O segredo dessa mudança em mim, acho, foi começar a olhar para as pessoas como parte de gerações – graças à sociologia e ao meu próprio envelhecimento. O que individualmente pode ser difícil de engolir às vezes faz todo sentido no contexto. Por exemplo, o imenso apelo que o candidato de direita teve sobre a geração que tem pra lá de seus sessenta anos. A pauta moral os conquistou, ponto. Faz sentido se pensarmos nas mudanças radicais eles presenciaram, tanta liberdade e quebra de paradigmas no espaço de poucos anos, as certezas que eles têm e que talvez ninguém mais daqui pra frente tenha. Enfim, raciocínios desse tipo me fazem ser menos difícil de conviver com escolhas que eu abomino. Sou boazinha? De modo bem prático e egoísta: viver sem odiar o entorno é mais leve.