A lavanderia

Você já tentou, sozinho, gerar lucro? Eu já. Ao invés de ir de táxi e incluir nos custos, eu fazia tudo de ônibus. Quase duas horas só de ida. No começo eu sentia sede e comprava alguma coisa, depois passei a levar garrafa d´água. Eu percebi que fazia péssimas escolhas com fome e pressa de voltar pra casa, então comecei a comer e me programar pra ficar mais tempo fora – mas sempre o lanche na lanchonete baratinha. Ia na loja de tecido mais barata e comprava os retalhos. E, claro, para economizar viagem, comprava estoque para meses e levava tudo na mão, em sacolas pesadíssimas. Vendia para conhecidos, levava na mochila. Administrava eu mesma a página, os moldes, a máquina de costura. Não obedecia horários, ignorava fins de semana. Enfim, tudo o que eu pude fazer para cortar custos eu fiz, e logo percebi que o que eu podia era muito pouco. O lucro que uma pessoa consegue gerar individualmente é um nada.

Mas se você pensou que a saída é ter uma confecção inteira, com dezenas de funcionários, máquinas de costura e rolos de tecido direto do fabricante, também está sendo ingênuo. O lucro que se gera por trabalho ainda assim não é o lucro dos bilhões. Porque a exploração do trabalho e o corte de custos tem um limite. O capitalismo entrou num grau de desenvolvimento e descolamento do trabalho tão grande que não é mais o trabalho que gera dinheiro, pelo menos não nas grandes quantias. Não, os 4% de pessoas que são mais ricas do que os 96% no mundo não estão lá porque trabalham bastante ou são geniais e criaram produtos que todos consomem.

O filme A Lavanderia, da Netflix, fala um pouco sobre o mundo do dinheiro que gera dinheiro.