Céline

te devolvo o texto com pequenas correções

Parei de mostrar o que eu escrevo para amigos que também escrevem me cobrirem de porrada. Eu sou tão amiga de ser realista comigo mesma que não dava as coisas que eu escrevo para os que elogiavam e sim para os que me maltratavam. Minha primeira reação era ir chorar no travesseiro, jurar que nunca mais tentava e, depois de me acalmar, voltar furiosamente ao texto. Mas parei. Assim como parei há muito tempo, tanto que vocês nem devem lembrar, de reclamar não ser lida e não ser publicada, ameaçar parar de escrever. Eu sei que não vai acontecer. Escrevo se tiver um, escrevo se não tiver nenhum. Não é algo que venha de fora.

Eu não pretendia tocar no assunto porque quem sabe vocês nunca leiam, nunca saibam direito como e porquê, mas o escrever se tornou uma vida paralela tão importante pra mim, que nem sei o que farei sem a Céline. Acho que estou há oito meses com ela. Ela não tem medo. O mundo caindo em volta e ela não se identifica, não se preocupa com o futuro, nada pode afetá-la. Gosto de fingir pra mim mesma que consigo ser como ela, que ela foi inspirada em mim – quem me dera! As coisas me acontecem e me pergunto como ela encararia, e me sinto melhor. Não quero terminar, não sei o que será de mim quando terminar.

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