Lembrar e projetar

memória e imaginação

Se a pessoa tem removida ou prejudicada a parte do cérebro relativa à produção de memórias recentes, ela também está condenada a não conseguir fazer planos para o futuro. Não apenas porque os planos são a projeção de memórias, mas também porque as nossas memórias são plásticas. Pesquisaram memórias de várias pessoas relativas ao que elas estavam fazendo no 11 de setembro e, à medida que o tempo passa, as memórias não apenas perdem detalhes como podem até se confundir com outros dados, relatos de outras pessoas, memórias do que aconteceu na época. As partes do cérebro ativadas com lembrar e imaginar o futuro são praticamente as mesmas, como mostra o print aí em cima.

De multiversos ao fato de na astrologia védica ler mapa do ponto de vista da Lua (que representa a mente), tudo me parece apontar pra necessidade de fazer as pazes com o passado. Terapia, meditação, florais, ho’oponopono, perdão – no fim desses estudos científicos sempre descobrimos que não é coincidência que esses sistemas antigos nos deixam tão mais felizes. Ocidentais e pretensamente científicos que somos, tendemos a achar que os fatos são os fatos, regidos por leis da física, cuja flecha do tempo vai apenas numa direção. Mas nós não somos rochas, somos mentes, somos versões de fatos mediados pela linguagem, e dentro de nós passado, presente e futuro são uma coisa só. Se você cada vez que você reconta a lembrança ela fica diferente, no fim ela pode ficar totalmente irreconhecível. Sem dúvida existem limites, mas a possibilidade de recontar também é a possibilidade de tornar nosso passado um lugar melhor. Lembranças diferentes também mudam as peças que usamos para projetar o futuro. Curar o hoje muda passado e futuro ao mesmo tempo.

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