O vaidarmerdômetro

decepção

Um conflito inevitável de gerações é que os mais novos não sabem que instrumento preciso e afinado se torna o detector de “vai dar merda” – ou vaidarmerdômetro – com os anos. Na juventude, temos que quase parar no hospital para nos convencermos de algo, enquanto que a maturidade nos faz detectar um problema quando ele é apenas um pontinho preto na linha do horizonte. Para os mais jovens soa cruel que um simples adesivo no carro ou o modo errado de dar risada possa fazer alguém ser cortado de antemão de qualquer círculo íntimo; mal sabem eles que, no passado, muitos outros adesivos e risadas erradas existiram, ganharam chance, erraram, foram perdoados, repetiram. Não sabem que a primeira impressão costuma ser a primeira intuição, e que ela é muito mais sábia do que qualquer QI pode alcançar.

Um vaidarmerdômetro que não falha nunca – e vou falar aqui porque poucos deles podem ser expressos em palavras – é o do restaurante que atende mal. Se você entra no restaurante, o garçom não te vê, não anotou o pedido achando que lembraria e não lembrou, os pratos das outras mesas chegam e nada do teu… dê as costas e vá embora. Sem medo. Só piora. E o humor da gente também, por culpa da fome. Aconteceu comigo uma vez tudo o que eu citei no começo do parágrafo, mais o fato da comida que chegou para ele (o meu pedido foi ignorado) era um conjunto de frituras envelhecidas. Eu já estava pedindo para ir embora faz tempo. Quando o meu pedido chegou, uma hora depois, havia um cabelo no peixe. Devolvemos para a cozinha e fomos acusados de ter plantado o cabelo para criar caso. Nem aconteceu em Curitiba, foi uma viagem que fizemos até o litoral para comer algo típico. Quase duas horas pra chegar, mais de duas horas no restaurante, saímos com fome, eu de péssimo humor por causa do comida e de não ter sido ouvida, comemos sanduíche e voltamos para Curitiba.