Bicicleta, tem certeza?

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Nunca na minha vida consegui ser a pessoa que acorda antes do alarme. E quase sempre acordo pensando que tem algum engano, que eu não deveria ter ligado o alarme, que é sábado, sei lá. Quando finalmente aceito que tenho que sair da cama, tem outra batalha duríssima: meu corpo quer a todo custo me convencer de que não dá, não vou aguentar sair de bicicleta. Tem uma nuvem ínfima e branquinha no céu azul – não dá, vai chover. Tem minha lombar que dói, tem o pé que incha, tem o nervo asiático. A recusa continua enquanto me arrasto pro banheiro, quando pego o celular e confiro a temperatura, quando pego a roupa de bicicleta previamente separada na manhã anterior. Vocês que moram no calor e nos invejam pelo frio esquecem o frio da roupa quente mas fria porque estava fora do corpo. Como é ruim estar cheia de roupa e com frio dentro dela. Eu como uma banana e aproveito para jogar a casca no lixo do lado de fora, respiro, olho para o céu. Não, eu não tenho que passar no banco, ou fazer compras, ou morreria congelada, hoje é bicicleta mesmo.

Minutos depois viro a primeira esquina, pedalando, de capacete, bolsa com estampa de pequenas bicicletas aquecendo as costas e me sinto tão feliz, tão heróica.