Comfort food

pãozinho

Eu mesma só fui conhecer o termo há poucos anos, nem sei se ele existia antes. Foi uma blogueira que se viu tendo que comprar um Quick bem caro em outro país, porque para  a filha era importante naquele momento. Depois de semanas de telefonemas, ameaças e ajustes com operadoras de internet, parece que finalmente resolvi os últimos detalhes, e me vi comendo a mesma pizza que como desde criança. É uma pizza tão poderosa que serve de comfort food pra toda família. Minha mãe a comia quando era criança, meu irmão mais velho passa lá quase todos os dias quando vem pra Curitiba e considera aquela a melhor pizza do mundo. Eu ia resolver outros problemas e quando me vi estava lá, apertadinha na cadeira alta. Foi meu presente.

Saiu a nova temporada de Queer Eye e termino os programas com lágrimas no olhos e me sentindo confortada. Acho lindas as pessoas que eles selecionam e lindo o carinho deles. Também ouvi de uma tentativa fracassada de terapia, e me pareceu que faltou bastante aceitação por parte da terapeuta. Eles, os 5 fabulosos, realmente me convencem nas suas conversas terapêuticas, em poucas frases eles são de uma sensibilidade incrível. Eu acho que o falar a coisa certa passa muito por uma aceitação profunda do outro, pela experiência de vida, uma capacidade de amar.

Quando uma pessoa se vê muito sozinha, como eu me vi, ela se obriga a encontrar comfort em vários lugares. Descobri comfort em aplicativo de karaokê. Descobri comfort em música no chuveiro. Descobri comfort em vídeo de astrologia enquanto preparo café da manhã. Não quero sugerir comfort pra ninguém, o que eu quero dizer é que comfort não é só genético, não precisa vir da infância e do que nos aconteceu. Dá pra criar comfort. Procure comfort, seja comfort.