O próximo best-seller

best seller

Algumas pessoas já me disseram que têm uma coleção de histórias ou uma história pra um livro. Até aí, muito normal. O anormal é a expressão que elas fazem, a maneira como perscrutam meu olhar em busca de alguma irritação ou inveja. Há várias ideias por detrás disto: eu sou uma pessoa que escreve há tanto tempo, já tentei escrever e mandar livros e nunca consegui, não sou boa o suficiente na escrita pra ter um romance. Já ela tem dentro dela dados que são um tesouro, que quando saírem para a luz, gerarão um livro muito interessante. Só que o que a pessoa encontra é um encorajamento sincero. Eu realmente quero que todos os que têm grandes livros na cabeça realmente comecem.

Eu sempre achei que somos o país do futebol porque todo brasileiro, pelo menos do sexo masculino, um dia jogou futebol. Por ter tentado, por conhecer seu desempenho, ele é capaz de ver um profissional fazer um drible bem feito e chutar uma bola no ângulo e valorizar. É diferente saber em teoria e realmente ter tentado. Eu só passei a realmente admirar um bailarino que dá vinte fouettés quando descobri a tontura que é dar dois giros. Sempre fui uma leitora meio enjoada, do tipo que hesita muito em pegar best sellers e livros mais fáceis. Depois que passei a tentar eu mesma escrever um livro, minha antiga atitude de desprezinho pelas mesas cheias de livros descartáveis virou pura admiração. Olha só duzentas páginas de letras, ações e descrições, que artista!

Por isso, quero muito que escrevam. Quero que descubram que a ideia fabulosa, de várias páginas, se transforma em poucos parágrafos quando você senta pra digitar. Que por escrito o impacto é diferente do causo contado entre amigos. Que algumas coisas fluem e falamos do que nos é muito próximo, e outras não, mas para ficar bom ninguém deve notar uma coisa e outra, e pra isso é muito tempo em cima até corrigir. Enfim, não vou me dedicar a listar às particularidades da escrita, até porque nem todo mundo – levei tempo pra descobrir – quer realmente escrever um grande livro, alguns só querem poder dizer: escrevi um livro. Escrevam sim. Façam de tudo para transportar para um arquivo aquilo que está só na sua mente. Procurem uma editora. Depois se abracem também aos prantos diante de qualquer livro de ator global, admirada com a grandeza do projeto.

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