O que elas estavam pensando?

Eu entendo uma mulher não se identificar como feminista por aí, mas não entendo uma mulher que, do fundo do seu coração, não se identifique em algum nível com o feminismo em si. Mulheres que chamam feministas de “aquelas peludas” e que se alinham contra. Toda mulher tem na sua vida algum episódio grande de injustiça, de uma clara preferência por uma pessoa de igual ou até capacidade inferior apenas porque ele tem pinto. Mesmo quando a sua mãe se esforça para não ser machista, quando ela lhe diz desde criança que você deve buscar sua independência, talvez ela esbarre ao insistir que você arrume a casa e do seu irmão não cobre tanto, ou que as regras de moralidade sejam rigorosas apenas do seu lado. Uma outra experiência da qual se fala pouco, e acho que é nela que “perdemos” algumas mulheres é quando você percebe que é fácil agir como esperado. Que se ao invés você lutar com sua competência e esbravejar as injustiças, as coisas podem ser mais fáceis se você jogar o cabelo pro lado ou se fingir de burra. Me parece que muitas mulheres contra o feminismo se deixaram vencer por essa ilusão, a do favor, a do “você acha que me pegou e eu já me adiantei aos seus movimentos”. É a tática do ser tão bonzinho que o seu opressor vai perceber o que está fazendo e te erguer e colocar ao lado dele. Spoiler: jamais funciona.

Infelizmente, não me parece que quem tem o segundo perfil um dia vá clicar no documentário Netflix – Feministas: o que elas estavam pensando? O ponto de partida é uma exposição de fotos de diversas mulheres que se identificavam como feministas na década de 70. Alguns rostos são bem conhecidos. Elas contam suas vidas, o que as levou pra esse caminho, o que conseguiram realizar. É simples, é tocante. Imagine o que é prometerem um prêmio de dez mil e resolverem te pagar apenas cinco, ou chamarem para tirar foto dos vencedores o homem de plantão. Eu me vi um pouco em cada história. Que bonito que é sisterhood (traduzida como sororidade), dá um calor bom no peito.

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