Roupas reencarnadas

ziper jeans

Eu ia fazer trinta nos e achava que seria uma séria professora universitária, então fiz a tentativa número cento e tanto de tornar o meu guarda-roupa sério. Comprei calça social, paletozinho bege, lenço. E me livrei da minha bermuda preferia, uma bermuda quv eu chamava carinhosamente de “bermuda do mano”: ela era larga, ia até um pouco abaixo do joelho, tinha bolsos nas coxas, tinha fivelas na cintura que era meio baixa. Não combinaria com a nova eu, já estava na hora de me vestir como adulta.

Não me lembrava dessa bermuda até um dia estar fazendo uma organização e encontrar um foto minha daquela época e perceber que comprei uma bermuda praticamente igual há poucos meses. Percorri a cidade inteira, páginas e páginas do Ali até encontrá-la, porque tinha uma imagem muito clara do que eu queria e não achava em lugar nenhum Eu queria uma bermuda pra andar de tênis, pegar ônibus de noite sem me sentir desconfortável com olhares. Ela é tudo isso, amo. Assim como também estava olhando outras fotos de quatro anos atrás, e me vi com um casaco comprido e listras grandes em tons vermelhos. Eu comprei, de novo, praticamente o mesmo casaco. Uso pouco porque ele não é muito prático, fresco demais para o frio curitibano e lã demais no calor. Eu me lembrei que o casaco da foto também foi doado pouco tempo depois pelo mesmo motivo.

Pra quem não direito minha idade, entre uma bermuda e outra foram uns dez anos. Mas pelos menos aprendi a não gastar mais dinheiro com paletózinho, lenços de seda e roupas combinando. Nunca serei.

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