Sem holofotes

urna eletronica

Eu tenho alguns amigos que já se viram diante da situação de serem corruptos ou se ferravam e eles se ferraram. Um deles conseguiu um cargo num banco, daqueles que tem poucas pessoas entre ele e o dono do próprio banco, e logo nas primeiras horas sentado na sua cadeira nova, soube que teria que fazer um favorecimento. Não respondeu aquele dia, passou a noite pensando. Aquilo era tão inerente ao cargo que ele não poderia se negar e achar que geraria uma nova cultura institucional. Fazer uma denúncia também não adiantaria e ele até poderia ficar em risco. O jeito foi abrir mão do cargo que ele lutou tanto e se demitiu do dia seguinte. Conheço gente que foi à falência porque para vencer a disputa por uma obra teria que superfaturar. Nunca tive um cargo importante, graças a Deus, eu apenas devolvi o troco errado de uma atendente que tinha acabado de me dar uma baita patada e aquele dinheiro teria tornado a minha viagem bem menos apertada, tanto que a mulher ficou muito sem graça quando eu devolvi o dinheiro. Meu amigo não conseguiu emprego no dia seguinte, e nem o outro uma nova empresa e nem eu deixei de fazer uma viagem apertada. Gestos de honestidade são assim, eles não aparecem na TV, nem ao menos rendem posts interessantes. A gente faz porque foi criado nesses princípios, porque acredita que o mundo se torna um lugar melhor se cada um fizer a sua parte.

Em poucas horas, temos as eleições. Queria escrever um post lacrador, colocar a última gota que convencesse o leitor da vontade inexorável de que #Haddad13 é a melhor opção no momento. Passei o dia pensando e não me ocorreu nada que eu já não tenha dito. Encarando os fatos, este blog é lido por tão pouco gente e sou tão pouco levada à sério que não acredito que tenha influenciado qualquer voto. Você que está lendo já deve ser meu amigo e eleitor do Haddad. Eu tenho vindo aqui escrever com o mesmo espírito de quem vê um papel do chão e coloca na lixeira ou devolve um troco: eu acho que eu tenho obrigação. Eu acredito em fazer o correto com o que se tem e que o nosso país é um grande país corrupto porque acredita que, depois do limite das grandes vantagens, a noção de “fazer o melhor” não se aplica mais.

Eu lido com palavras e acredito no poder das palavras. Então, eu levo muito à sério quando alguém fala em matar pouco ou matar oposição, ou quando desqualifica qualquer tipo de minoria. Enfim, você sabe exaustivamente do que eu estou falando. Contra isso, eu tenho apenas um voto e um blog lido por meia dúzia. Usei este imenso arsenal de uma gota pra me opor, em posts aqui e nas minhas outras redes sociais, e amanhã farei o gesto final ao votar. Um voto no Haddad. Não vai aparecer na TV e talvez seja inútil, mas é o meu.

Bom voto. Que ele lhe traga a satisfação de quem age de acordo com sua consciência.

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