Está acabando

voto dos indecisos

… e estamos todos acabados. Acho que nenhum dos dois lados têm certeza do que vai se revelar nos números domingo. O que eu sei é que passamos a nos conhecer melhor. Passamos a conhecer melhor a tia que faz doces deliciosos e nos recebe em casa com chinelos de tecido, tão pacata na vida real e que no grupo de whats discute furiosamente. Passamos a conhecer melhor nossos amigos, escolhidos pelos critérios de serem bons de papo, companhia para show, contadores de piadas engraçadas, e de um dia pro outro passamos a conhecer as opiniões sobre estupro, direitos das minorias, combate à violência. Agora sabemos como eles reagem com o que acreditam serem ataques ao que lhes é caro. Algumas invejas feias conheceram a luz do dia, em discussões que passavam bem longe da política e viravam críticas ao estilo de vida, desconsideração com o ponto de vista, desprezo por coisas que até pouco tempo não eram nem registradas. E nos conhecemos como pessoas também, até que ponto nos deixamos afetar, como lutamos, com que armas lutamos.

Acho que já deixei clara a minha posição faz tempo. Assim como já disse muitas vezes que acredito na máxima de que se conhece a árvore pelos frutos. Por mais que se queira ser tolerante, não tem como evitar: foi uma eleição em que a decepção veio a rodo. Mesmo para alguém naturalmente antissocial como eu, o número de pessoas que exibiram uma face monstruosa foi acima de todas as expectativas. Nunca na vida achei tão fácil dizer qual o lado certo, como se fosse um filme. O lado certo é o que mobiliza gente que se dispõe a sentar no meio da rua, às vezes amigos ou família, às vezes até com café e bolinho e esclarecer estranhos. De um lado, uma máquina perversa de mentiras que cria um mundo paralelo e fomenta o ódio; de outro, pessoas que cedem o seu tempo e o seu carinho para conversar.

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