Védico e sideral

Nakshatra wheel

A ideia de gostar de um outro país e tê-lo como sua cultura do coração sempre me pareceu meio boba. Sempre tive simpatia pelos argentinos, mas eu sei que diante de um argentino de verdade eu nada mais sou do que uma brasileira, e por aí vai. Então, eu mesma fiquei surpresa quando comecei a ler sobre os nakshatras e sentir uma euforia no coração. Não tenho como explicar, apenas adoro coisas relativas à Ìndia. Passei a adolescência inteira lendo sobre yoga e parei de comer carne por isso, sonhava em ir pra um ashram, ouvia as músicas, enfim, seguia toda cartilha mística.

Em linhas gerais, é assim: existem duas grandes correntes na astrologia. A que se pratica aqui é a tropical e a que se pratica no oriente é a sideral. Sem entrar em detalhes, a diferença de cálculo é porque na tropical a mudança dos signos está ligada às estações do ano, na sideral às constelações. Os pressupostos de uma e outra são diferentes, e querer transportar automaticamente o conceito de uma para outra é igual quando a gente acha que sabe espanhol e se depara com falsos cognatos. Os signos da astrologia védica são quase um signo inteiro para trás. Aqui é signo é determinado pelo sol e lá pela lua. Exemplo: no mapa ocidental, eu tenho o sol em gêmeos e a lua em touro, o que me torna geminiana; no oriental, eu tenho o sol em touro e a lua em áries, o que me torna ariana.

Aqui um signo é sempre igual nos seus trinta graus. Tem os quadrantes, mas na prática ninguém diz que alguém que nasceu no início de um signo é diferente de quem nasceu no fim. Lá, os signos são divididos a cada 13 graus e 20 minutos, que são os nakshatras. E cada nakshatra tem 4 subdivisões, os padas. Cada nakshatra corresponde a um símbolo, um modo de energia, estrelas, deuses. As histórias indianas me fascinam pelos caminhos inesperados, algo que uma mente ocidental jamais conseguiria produzir. Olha que legal esta história (resumida), que corresponde a um nakshatra que fica em câncer sideral.

O grande sábio Kashyapa , o filho nascido em desejos do Senhor Brahma , era casado com as duas filhas Kadru e Vinata . Ambas as irmãs eram de grande beleza e inveja uma da outra. Kashyapa ficou extremamente satisfeito com os dois e ofereceu a cada um deles uma benção.

Kadru disse: “Que mil filhos de incomparável força e valor nascem para mim!” E para Kadru nasceu a raça das serpentes, um total de milhares delas, dotadas de grande força. Quando chegou a sua vez de escolher seu benefício, Vinata disse: “Que dois filhos sejam nascidos para mim, os quais eclipsarão os filhos de minha irmã em força, valor e fama”. Vinata colocou dois ovos. Quinhentos anos se passaram, mas os ovos não nasceram.

As irmãs Kadru e Vinata se envolveram em uma discussão. Kadru perguntou a sua irmã: “Irmã, qual é a cor do cavalo divino Uchaishravas que pertence a Indra ?”

Sua irmã respondeu: “É de uma cor branca impecável, desde o nariz até a cauda magnífica”.

Kadru disse: “Você está errada. Embora seja verdade que seu rosto e seu corpo são de uma cor branca impecável, eu acho que sua cauda só é uma cor preta brilhante. Diga-lhe uma coisa, vamos apostar neste tópico.” Se você estiver certa, eu me tornarei seu escrava. Se eu estiver certa, você deve se tornar meu escrava. “

Vinata aceitou a aposta. Kadru sabia que o cavalo era branco de um lado para o outro, então ela arquitetou um plano. Ela chamou seus filhos e disse: “Eu aposto com sua tia que o cavalo Uchaishravas possui um rabo preto. Você deve fazer as minhas palavras se tornar realidade. Vá em frente e enrosque-se em torno de sua cauda e dê uma aparência preta.”

Retirado daqui.

Só duas cobras não aceitaram fazer parte disso, e são essas duas nagas que fazem parte do nakshatra de Ashlesha.

 

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