O mar da ignorância

monstro lendo batu nieby

Não são poucos os que tem desanimado. Do meu ponto de vista, um dos muitos motivos para o encolhimento dos blogs é a falta de diálogo, pra quê ter o trabalho de escrever um texto, se expor e levar pedradas. Porque o problema não é discordarem – uma discordância bem fundamentada é até estimulante, mas hoje o debate anda raso como torcida de reality. Pra não nos sentirmos remando contra um mar de ignorância, cada um tem falado com seu próprio grupo, seus amigos, sua bolha. Mas, ao mesmo tempo, justamente agora é importante falar. Se você se retira, o espaço é preenchido por alguém que pode ter muito menos a dizer. E há algo que eu acho muito importante, quase do mundo ideal: não ser agressivo. Eu sou mulher, e me sinto agredida quando apoiam candidatos que dizem que mulheres deveriam ganhar menos e que consideram o estupro uma forma de mérito. Eu me sinto agredida quando desvalorizam negros, nordestinos, pessoas de baixa escolaridade e/ou baixa renda, homossexuais e minorias em geral, porque também me sinto uma minoria. Mas eu sei que o que o outro lado espera de mim é que eu me descompense. Isso só vai reforçar o que já pensam; minha atitude agressiva seria como um “ela começou”, “são todos assim”. Soa meio como Gandhi, eu sei. É a minha pedrinha em meio ao que estamos vivendo, o que eu consigo fazer para não me omitir e conseguir ser feliz. Por favor, leitor, encontre a sua.

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