Feroz

judges

Eu não gosto de realitys que deixam as pessoas entediadas dentro de um ambiente fechado, mas gosto muito daqueles que fazem a pessoa trabalhar em meio a outros profissionais da mesma área. Terminei há pouco a 10º temporada de Project Runway e comecei a 9º de Ru Paul´s Drag Race. Numa dessas duas, teve gente que surtou e foi embora. Programa super concorrido, o sonho das pessoas e elas surtam. A organização não gosta, os outros participantes dão a entender que são covardes e pega muito mal. Quando entra, todo mundo se descreve como ambicioso, disposto a tudo, feroz, aquele que vai dar trabalho. Aí coloca a pessoa entre estranhos, trabalho duro, críticas, surpresas, sem lazer e longe do seu círculo de afeto. Descobrimos que, dos doze que se diriam ferozes, só dois são e olhe lá.

Não condeno quem sai, eu nem iria porque sei que seria massacrada. Mas sei disso hoje. Eu com vinte também me descreveria como feroz – é uma soma de imaturidade, expectativas sociais e o desejo de ser realmente feroz. Ninguém quer se ver como circunstancial e formiga operária. Hoje, na realidade, nem gosto das pessoas ferozes. Muitas vezes quem se dá bem nesses programas é quem se alimenta do descontrole alheio, quem cresce em cima dos outros. Aí me lembrei de um dos muitos motivos que larguei a psico: eu não queria realmente “tratar” os que me procuravam. Eram pessoas sensíveis que sofriam na mão dos ferozes e com a cobrança do mundo em sermos ferozes. Elas realmente precisavam de ajuda para conseguir se proteger e enfrentar, mas o que realmente precisa de tratamento é a agressividade do mundo.

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