Ilibada

no-de-oito

Lembro de uma enfermeira que eu conheci, que num determinado momento da vida prestou concurso para trabalhar nas Forças Armadas. Nunca convivi muito com ninguém que foi das Forças Armadas, então repetirei apenas o que ela me disse, ok? Quando ela entrou, por ser uma pessoa correta, achou que conseguiria ter um currículo sem nenhuma prisão. Isso acabou não acontecendo. Lembro de um rapaz que me contou que foi preso porque se atrasou. Minha amiga nem me contou o motivo, mas ela foi presa. De acordo com ela, existe uma pressão pra isso, que de certa forma era pretensão dela achar que nunca seria presa, as pessoas não largam do pé até que aconteça.

Eu acho que a vida também faz isso com a gente. Temos a pretensão de passar ao largo dos erros – mas, à medida que avançamos, a coisa vai ficando confusa e as escolhas limitadas. Muitas vezes o moralmente correto é escolher entre o sacrifício anônimo e o prazer. Quando conhecemos aquele que parece que conseguiu passar por tudo sem cometer um deslize, ele não passa uma impressão feliz, pelo contrário, soa mais como arrogante e invejoso. Isso me faz pensar que o erro (ou pecado, use o termo que quiser) é inevitável, e na balança o não jogar o jogo seja o pior deles.

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