O que toca

despedida

Não gosto de ler sobre guerra no geral e comecei a ler o A guerra não tem rosto de mulher, da Svetlana Aleksiévitch, porque uma amiga jurou que é um livro essencial e que se devora em poucos dias. Como qualquer livro de guerra, a lista de barbaridades e situações horríveis é abundante – estupros, mutilações, canibalismo, etc. Tudo lá, se for levar a sério, é de chorar. Mas eu fui lendo – estou lendo – meio incólume, passando pelo horror com o olhar de quem já esperava aquilo. Aí, num certo momento, percebo que uma coisa vai subindo, subindo, e tenho que me interromper. As mães não choravam, elas uivavam de dor ao se despedir dos filhos. Uivar de dor. Eu que nem tenho filhos me vi transportada a estações de trem e mães entregando sua própria carne para ser esmagada, perder toda inocência, quem sabe nunca mais voltar.

Em breve, crítica no Caminhando por Fora.