Gente dessa laia

pete

Como as regras anti-spoiler não valem para séries que acabaram há anos, vou falar um dos acontecimentos que eu mais gostei em Mad Men. Don Draper é o protagonista e, como tal, tem a nossa simpatia. E Pete Campbel começa a série como um arrivista detestável – com tempo ele conquista a nossa simpatia. No começo da série, Pete descobre que Draper não é realmente o nome dele do Draper, que há um passado obscuro, que ele mente sobre sua origem. Aí Pete reúne suas provas e confronta Draper na frente do dono da agência. O dono da agência fala: Draper é um dos meus melhores publicitários, fecha contratos de milhões de dólares, não estou nem aí pro nome dele. E Pete fica de filme queimado.

Muitos episódios depois, em outra temporada, surge um funcionário bonito, sorridente, puxa saco e que começa a se destacar. Sem querer, Pete descobre que o sorridente também não é quem diz que é, que suas referências são todas falsas. Aí ele o confronta: Sorridente, eu sei que você mentiu, eu já lidei com essa situação e conheço gente da sua laia, agora sei exatamente o que fazer. O que Pete faz? Se oferece para dar boas referências pro cara ir pra outra agência e sumir.

Não é bonito de se recomendar, não é aquilo que nos ensinam os contos de fadas. Mas, como diria Raul, quem aqui é besta pra tirar onda de herói. Eu tenho a impressão que, com “gente dessa laia”, a melhor coisa é deixa-los chegar onde eles querem – lá encontrarão muitos iguais a se matarão sozinhos.