A curva

curva normal

Eu tive um professor na faculdade que é um sujeito importante na área dele, e por coincidência ele foi orientador de pós-graduação do meu ex. Por causa disso, ao longo dos anos, de vez em quando eu encontrava com ele. Sempre que eu o reencontrava, me dava aquela sensação de “como está velho, da última vez…” . Eu sabia que a cada reencontro eu não estava pior. Um dia, numa aula de dança, a professora falou algo que fica meio óbvio depois que alguém explica: existe uma curva no nosso corpo, que sobe até os trinta anos, fica pouco tempo estacionada ali e cai lentamente até o fim da vida. Eu estava subindo a curva e meu professor descendo. Agora que estou do outro lado da curva, sei que a cada reencontro meus amigos novinhos se surpreenderão em ver como estou cada dia mais velha, da última vez…

Agora pensem comigo: se a curva sobe apenas até os trinta e o resto é queda, e a expectativa de vida a cada dia que passa torna mais fácil ultrapassar os oitenta, mais da metade da nossa vida será na queda. Não estamos mais na Idade Média, a vida está longa. Achar que só o corpo jovem é bonito, que só as características jovens são qualidades, valorizar a mão de obra apenas do jovem… bem. No mínimo não é muito esperto. Da minha parte, acho que deveríamos aprender a gostar de rugas e corpos mais pesados. Junte-se a mim.

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