Curitiba toda dominada

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Eu não sei se com os anos mudei eu ou mudou Curitiba, mas tive durante muito tempo uma relação de amor e ódio com a cidade que foi acalmando e a vontade de ir embora passou. Tem um post antigo meu que recebia recorde de comentários sobre o tema, e no início era até divertido de ler – Desvantagens de morar em Curitiba. Este post me fez ajudar dois estrangeiros a se decidirem sobre vir para cá ou não. Como tudo o que se escreve, ele reflete o que eu pensava na época e mudou, e era bastante estranho ser xingada por algo que não refletia mais a minha opinião, mas a internet tem dessas coisas. Hoje tenho consciência que é muito importante para mim poder me deslocar a pé. Alguns lugares tem uma distribuição de ruas estranhas demais para o meu precário senso de localização; outras são violentas demais; outras são machistas demais; tem as que são quentes demais ou as que exigem dinheiro demais. Uma vez estava no ônibus e ouvi uma conversa que achei muito interessante, de dois rapazes que contavam os lugares mais longe que já foram de ônibus, levando em conta onde moravam. Eu já tinha ido para os mais longe dos dois e mais adiante. Já devo realmente ter rodado essa cidade para todos os pontos cardeais, nenhum lugar me é totalmente estranho. Sem dizer que, no Centro, tenho a intimidade que só os anos são capazes. Um dia estava na XV e precisava comprar uma cartolina preta e soube exatamente onde havia uma livraria pequena e bem especializada em papéis especiais. Meus três itens essenciais numa cidade e que Curitiba me dá com folga: me perder e voltar sem riscos, decidir um longo trajeto à pé e ir resolvendo coisas no caminho, ter a cidade inteira acessível por transporte público.

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