Libertária, eu?

coxinha-e-mortadela

Uma vez eu estava com um amigo e uma amiga, numa mesa, e os dois falaram que já haviam feito sexo à três. Outra vez, com duas amigas, que não tem nada a ver com os dois anteriores, falaram que já posaram nuas. São momentos que eu olho para as pessoas e me pergunto se tenho amigos muito arrojados ou eu que sou muito antiga. Pior que eu sei qual a resposta. Passei pela adolescência e faculdade sem que jamais tenham me oferecido droga, nem um reles cigarrinho, nem ao menos soube quem usava ou não. Era tão claramente perda de tempo que ninguém se deu ao trabalho. Se eu nem ao menos bebo – do melhor vinho do porto à mais docinha e suave sangria, pra tudo eu faço careta igual criança, acho horrível. Tudo em mim grita tanto bom comportamento, que pessoas que frequentam igreja sentem uma vontade irresistível de me levar pra elas. Durante muito tempo até aceitei os convites, movida por pura curiosidade antropológica. O cálculo deles é que eu já não bebia, fumava ou saía e já me visto de maneira comportada, então estar fisicamente numa igreja é o de menos. E sabe a loucura que dá depois da separação, a liberdade, as baladas, a idade da loba? Nadinha.

Eu poderia fazer uma lista do meu bom mocismo e comportamento recatado. Caso alguém tivesse vontade de me conhecer através do blog, fecharia a janela na hora e enterraria a ideia pra sempre, convencido de que sou uma mala sem alça – e quem disse que não? O que me surpreende é que alguém como eu se veja alçada à posição de libertária. Que seja a que defenda o descrito como chocante e destruidor da família brasileira. A favorável às vozes que nem deveriam existir. Que nessas alturas da vida tenha que defender coisas que nunca fiz e nem nunca vou fazer porque sei que o meu comportamento não deve pautar o dos outros.  Eu tenho todo perfil pra ser reacionária e não sei se vocês vão entender o que direi agora: estou ressentida de não poder ser. O libertário precisaria de pessoas melhores em suas fileiras. Mas sei que a culpa não é minha – o conservador que migrou para as raias do absurdo.

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