Aquelas long neck

copo-de-cerveja

Nunca contei essa história, que já deve fazer uns dois anos. Eu estava voltando no ônibus de sempre, tarde da noite como sempre e havia um mulher sentada atrás de mim falando no celular. Eu estava esparramada na cadeira, muito cansada. O ônibus estava silencioso e a conversa dela se misturava com as luzes dos postes. Do outro lado da linha, ele lhe disse que estava esperando e ela disse que ele deveria dormir, que não precisava. Ele acordaria cedo amanhã. Ele não apenas esperava por ela como tinha deixado um prato de comida separado. E ela tinha uns chocolates escondidos e contou onde estavam. Ela lhe disse que as cervejas long neck entraram em promoção no supermercado onde ela trabalhava. Naquele fim de semana eles podiam comprar, dividir, fazerem a festinha deles. Quando saí do ônibus não resisti em olhar para trás e vi uma mulher simples, meia idade, acima do peso, aparência cansada.

O que me impediu de contar até hoje e que se confirma quando leio o parágrafo acima é o fato de não conseguir expressar o quão doce era o tom daquela conversa, os gestos simples e carinhosos que se podia adivinhar de ambos. Penso nos dois com suas long neck como champanhes e o seu amor tão precioso.

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