Essa barra que é gostar de você

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Pode não ser verdade, pode ser pura desculpa para nossa incompetência, mas a gente sai de Curitiba e se diverte, fica popular, olhado nas esquinas, nos acham inteligentes e capazes. Aí a gente volta pra cá e o telefone não vibra, todas as nossas iniciativas morrem em nuvens e ninguém dá nada pela gente. Tô falando no coletivo porque conheço alguns casos. Tinha uma colega de faculdade que aqui não era ninguém, e quando foi para Floripa virou quase uma embaixadora informal. “Então vai embora!”, diz o curitibano com raiva cada vez que falam mal da cidade dele. Curitiba também tem uma característica estranha de prender as pessoas aqui, como se fossem tentáculos. Costumo dizer que aqui é meio ilha de Lost. A cidade prende e a gente vai ficando, ficando, meio odiando ficar e meio reconhecendo que as ruas são limpas, as pessoas são educadas, a privacidade é um direito. São detalhes, nada que nos faça escolher um lugar, mas que no conjunto melhoram muito a vida. Dia desses me dei conta que se realmente a cidade me largasse – “vai, te liberto desse carma!” – eu já não saberia pra onde ir, ficaria com medo de não gostar: e se eu não gostar de andar nas ruas e onde compra alho poró, lá tem uma boa biblioteca? O amor por Curitiba brota devagar, sem que você perceba, como quem de repente se dá conta que sente falta do tio e sua piada do pavê.

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