Self

iceberg1-2

Soa bastante místico, mas não precisa ser. Para mim é perfeitamente explicável se pensamos que o nosso consciente é uma parte muito pequena, justamente a menor de quem somos. Enquanto o consciente – aquela pequena ponta do iceberg – está preocupado com seus pequenos discursos, o inconsciente está registrando e reagindo a tudo. A cada dia que passa, me convenço mais de que, num primeiro contato, sabemos tudo o que queremos de alguém. As palavras que trocamos tocam apenas um nível muito superficial; antes mesmo das coisas serem ditas, as energias foram trocadas e cada um já sabe o que precisa. Isso explica o porque de às vezes alguém nos dizer tudo certo, recitar a nossa cartilha de gostos e lugares preferidos direitinho, e mesmo assim não acontecer nada. Outros, ao contrário, podem enunciar os gostos e opiniões mais estranhos e mesmo assim dali sai um afeto. E quando olhamos para trás, nos nossos relacionamentos errados, os encaixes neuróticos, as pessoas que amamos e nos feriram – não se pode alegar inocência em nenhum deles. Apenas o consciente comprou as mentiras e as explicações fraudulentas. Em algum lugar, a gente sabia. Sabia que não era amor, que iria nos fazer mal, sabia que ia quebrar a cara. A gente sabia e viveu o que queria viver.

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