Numa fria

“Eu não acredito que você me meteu nesse tipo de fria, de novo!”, disse eu para mim mesma. No caso, o de novo era estar de sapatilha e meia calça rosa, cercada por adolescentes vestidas da mesma forma. É, a vida da gente tende a girar sempre em torno dos mesmos temas, e tantos anos depois me vi vestida de bailarina de novo. Eu não sei como são as outras pessoas, mas eu discuto comigo mesma e com o Universo – outros chamariam de Deus – o tempo todo. “Cala a boca e presta atenção”, eu teria dito a mim mesma, mas o lado para quem eu reclamo não costuma verbalizar tanto. Ele manda e eu obedeço. “Presta atenção”, porque se de um lado eu me sinto desconfortável, de outro é a disponibilidade de me meter nessas frias que tem me enriquecido. Nelas eu relembro o quanto o mundo, os sonhos e os caminhos são variados. Se o mundo nos parece sempre igual, é única e exclusivamente porque escolhemos o igual.
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