Fronteira

O pessimismo desenfreado, de achar que se nada vejo na minha frente é porque não há nada, me parece sem sentido. Basta olhar em volta, ou olhar para o próprio passado. A nossa visão é limitada até para a nossa própria vida, planos e dimensões do Eu; que dirá sobre o que vem a seguir, das mudanças dos outros, das conjunturas mundiais e acidentes de percurso. O impensável e louco de um dia pode ser o totalmente natural e viável de amanhã. Crer que sabemos e controlamos todas as variáveis é de um sentimento de onipotência muito burro. Se nada sabemos do que vem à seguir, por que não acreditar que vem algo bom e que nos fará felizes? Dizem que pensamentos positivos atraem coisas boas.

 

Acho que o termo que melhor explica esse otimismo é . A fé é um apegar-se ao invisível e acreditar que seu fim nos será favorável, certo? Essa crença pode nos fazer rejeitar o mais ou menos por acreditar que o que vem pela frente é muito melhor. Com fé podemos olhar para o nosso presente medíocre e não nos deixar afetar por ele, porque andamos olhando o horizonte. A fé pode ser a única coisa que temos, quando o mundo inteiro desacredita de quem somos e do que ainda podemos. Mas – não pergunto retoricamente e sim na minha própria vida – até que ponto levar a fé, qual a fronteira entre o otimismo legítimo e a simples loucura? Eu não sei.
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