Ainda sobre sermos máquinas

Não supero essa fase Gurdjieff, eu sei.

Aceitar que somos muito determinados, determinados em quase tudo é fácil, é fato. Mas a teoria de Gurd não estabelece essa estatística, ela diz que todos estamos dormindo mesmo. Ou se está ou não se está. Quem não está é outro nível, é Mestre; nós somos tudo Zé. Gugu diz que é essa reserva moral do “quase” que faz com que o homem não consiga lutar com todas as suas forças pra sair desse sono, porque no fundo ele acha que não dorme tanto assim. E é o sono que nos torna máquinas, sem a menor autonomia, vítima de tudo o que nos acontece ou nos determinou no passado.

“Eu errei, mas se pudesse voltar atrás, faria tudo da mesma forma”. Eu falo isso, eu sinto isso. Fiz cagadinhas e cagadas homéricas; algumas eu só descobri depois de um tempo, mas noutras eu me sentia um touro correndo em alta velocidade em direção a uma parede. Eu sabia o que ia acontecer, eu sabia que não era a melhor decisão, mas já tinha pegado velocidade. Dentro do contexto, do que estava acontecendo, do que eu sabia e quem eu era, não havia possibilidade de fazer diferente. Eu fiz o que tinha de ser feito. Sofro as consequencias, lamento minhas decisões, não gosto nem de pensar, mas sei tão profundamente que não poderia ter sido diferente. Pra isso eu precisaria ser diferente e eu só sei ser eu.

Se isso não é ser máquina e determinado, não sei o que mais é.

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