Resposta

Eu fui ao supermercado quase às 20h no domingo, sem saber que estava quase fechando. Não fui porque era uma compra urgente, fui porque estava insuportável em casa. Eu me debatia com uma questão tão íntima, tão pessoal, que não havia nem como explicar. Poderia definir (beijo, professor Clóvis) como uma questão ética, em que eu tinha pelo menos duas premissas razoáveis e não sabia a qual delas dar prioridade. Depois de tantas mudanças na minha vida, o que manter, o que mandar às favas? O que incluir no pacote do meu novo eu, até onde eu consigo ir? Eram questões dessa natureza. A impossibilidade de me decidir estava me matando. Eu peguei minhas compras e fui para a fila das cestinhas. Só tinha uma pessoa na minha frente, mas os caixas estavam fechando e apenas um estava atendendo. E enquanto eu segurava a minha cestinha, chateada da vida, colocaram uma música no alto-falante do supermercado. Uma música meio antiga, nada a ver com música ambiente e que eu não ouvia há anos. Nossa. Nos primeiros versos a música respondeu de maneira tão perfeita todas as minhas dúvidas que eu comecei a rir. “Essa foi pra mim, Universo, entendi. Muito obrigada!”
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