Eu não sou Paul McCartney

Resolvi me dar uma consulta com um astrólogo de presente porque não estava bem. Já li e conheço meu mapa desde que me entendo por gente, só que desta vez eu queria uma outra pessoa falando sobre ele. Alguém que me fizesse ver as coisas que eu não estava vendo, quem me desse alguma luz. Ou seja, a gente sempre procura esse tipo de ajuda quando quer ouvir algo extraordinário. Ninguém vai a uma cartomante, por exemplo, pra ouvir que pode ser que você encontre alguém e pode ser que não. A gente quer o RG do sujeito, que ele venha logo e totalmente apaixonado. Então não foi exatamente o que eu queria ouvir quando o astrólogo falou de sorte e não me inclui no grupo dos que a possuem…
“Algumas pessoas têm muita sorte no campo profissional. Há um aspecto, de Júpiter na Casa Dez, que indica isso. Eu gosto muito dos Beatles, e acabo usando isso como exemplo. O Paul McCartney estava na casa dele quando John Lennon apareceu por lá e disse: “Estou fazendo uma banda de rock, quer tocar com a gente?”. O John Lennon foi até ele, Paul nem precisou procurar. É o típico caso da sorte bater à sua porta. Algumas pessoas têm isso, essa sorte. Esse não é o teu caso, você não tem nenhum aspecto desses. Você não é uma sortuda, não é uma pessoa que vai estar andando na rua e será descoberta, não vai ganhar herança, o John não vai bater na tua porta. Você está mais para uma lavradora. Tudo o que você precisar, você terá que construir. Você vai trabalhar duro, vai arar a terra, vai cuidar, vai esperar. Não conte com a sorte, você é do tipo que conta apenas com o seu próprio esforço”.
Não gostei de ser chamada de lavradora, mas nem precisei pensar muito pra saber que ele tinha razão. Eu convivi lado a lado com uma pessoa sortuda, o meu irmão. De coisas que davam de presente pra ele aos empregos que ele nunca teve que procurar, do lado do meu irmão eu sempre me senti a hiena Hardy.  Claro que ele tem os méritos dele, mas é diferente. É diferente ter essa luz ou não ter.

Como diz aquele ditado, o que não tem remédio remediado está. Estamos aí, na enxada.