Oi e beijinho

Se não me falha a memória, a Nadine tinha quatorze anos quando a conheci fazendo flamenco. Era a caçula da turma. Cada vez que errava, ficava tão irritada consigo mesma que quase chorava. Aí começava a errar mais ainda e ficar irritada com seus próprios erros, num ciclo vicioso.

 

Lembro de uma aula, acho que logo depois das férias ou de um período de sumiço dela, que eu estava fazendo aula e a Nadine surge. Quando me viu, ela gritou o meu nome e atravessou a sala correndo pra me abraçar, porque estava com saudades.

 

O tempo passou e eu até mudei de escola. Por causa dessa mudança, fazia bem mais de um ano que não nos víamos. Eu acompanho a vida dela de longe, virtualmente, e sabia que ela estava namorando sério faz tempo e que acabou de passar no vestibular de direito, bem o que ela queria. Ela também saiu da escola de flamenco, provavelmente pra poder estudar. Senão, ela estaria dançando no espetáculo, onde nos reencontramos, ao invés de estar na fila.

 

Ela estava com o namorado e os pais, que eu também conheci naquela época. Desta vez fui eu que chamei pelo nome dela, de longe. Ela me olhou, me disse Oi e me deu um beijinho no rosto. Depois me apresentou ao namorado. Tudo tão adulto, tudo tão civilizado.

Pode ser que o afeto continue o mesmo, mas antes era tão mais bonitinho…

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