Curtas e amargas

Autores que impressionam seus leitores, por ser mostrarem pessoas humildes e gentis, na sua noite de autógrafos. Mestres com instituições que tem o seu próprio nome, em palestra feita para seus alunos, e que os impressionam por sua humildade e gentileza. Atores, famosos e celebridades em geral, conquistam a todos ao se mostrarem tão gentis e humildes. Ora, ora, só eu leio isso e acho muito natural? Do lado de alguém que sabe minha biografia, consome o que eu faço e já me ama antes de ver, eu também seria um poço de humildade e gentileza. Difícil é ser assim ao ser barrado pelo segurança numa agência da Caixa Econômica.

 

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Ah, eles estão indignados! Não consigo levar muito à sério quem está sempre indignado. Com o Brasil, com o governo, com a falta de respeito dos jovens, com o efeito estufa. Uma causa ou substitui outra ou a sobrepõe, o que eles não podem e ficar sem ter do que reclamar. Eu sempre lembro da minha tia-avó que não perdia um capítulo do Hilda Furacão, só pra ver até onde a Globo tinha coragem de ir com aquela indecência toda. Não são as coisas que causam indignação a essas pessoas – elas têm dentro de si uma insatisfação, uma amargura, um sei lá o quê de muito ruim e que precisa de uma vazão. Na verdade, “esse bando de canalhas” está é lhe fazendo um favor por existir.
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Na gênese da coisa, as instituições de ensino e seus diplomas tinham o objetivo de garantir uma certa qualidade. Vamos ensinar o básico, o corpo comum que cada profissão deve ter. Vamos criar a coisa de tal forma que mesmo o maior dos idiotas saia daqui sabendo o mínimo. Quem já esteve lá dentro, numa universidade, sabe que entre os formados existem os brilhantes e os empurradores com a barriga, aqueles que passaram raspando. Deles, a gente tem dúvida se uma faculdade é realmente capaz de informar o básico necessário e essencial. Mas enfim.

 

Aí quando vejo alguém falar de diploma como se resolvesse todas as questões do universo, como se substituísse anos de experiência e de vivência, como se fosse mais do que uma vida inteira dedicada a um assunto, dá vontade de bater de leve com o cotovelo e dar uma piscada marota. É brincadeirinha, né?

 

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Pessoas que estacionam em vagas para deficientes. Algumas usam a desculpa da pressa, outros que existem vagas demais. Tem também os que se assumem – eles têm mais direito a qualquer vaga vazia do que qualquer outra pessoa. Digo mais: eles têm direito a tudo o que desejam e na hora que desejam. Na verdade, todas essas pessoas usam a vaga de deficientes com muita propriedade: eles são deficientes morais.
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