Contrariando todas as tendências

Basta falar em grupo comigo – de estudos, blogueiros, artistas, o que for – que minha primeira, segunda e vigésima quinta tendência é procurar a saída mais próxima. Dificilmente falar em grupo ao meu lado conseguirá minha adesão imediata, ainda mais depois que aprendi a difícil arte de falar a verdade sem ofender (muito). Caso consigam, num caso de problema de audição, confusão verbal e insanidade temporária, minha outra providência era de arranjar uma boa desculpa posterior. No último caso, eu poderia simplesmente não aparecer. Isso sem falar que qualquer coisa que implique em contar com a colaboração de outras pessoas já gera em mim o sentimento de Ih, não vai dar certo. Ou quando alguém se mostra entusiasmado com seus muitos amigos, logo penso – Pobre iludido!

 

Muito disso é de família. Minha mãe é tão fechada e detesta contato humano num grau, que vocês se surpreenderiam de eu ser capaz de dizer Bom dia. Aprendi a amar – ou me conformar – com a minha timidez e não gostar de grupos faz parte do pacote. Há nisso uma carga de orgulho, de desdém. À primeira vista as pessoas não me pareciam cheias de qualidades o suficiente para me fazerem perder meu precioso tempo. Só que esse mesmo item, o tempo, me convenceu de que eu preciso mudar. Esse seria o meu segundo conselho aos jovens, nessa caminhada de erros que tenho feito. É muito difícil sair do lugar sozinho. Talvez seja possível, se a pessoa tem uma visão de mercado, seja muito empreendedora, muito inteligente, extremamente segura… um conjunto fabuloso de qualidades cuja dosagem eu não sei direito. Só sei que, seja lá como for, eu não tenho. Me recusar ao contato humano me garantiu muitas horas de leitura trancada em casa – e nenhum convite para as infinitas oportunidades de trabalho, crescimento e desafios que a vida oferece.

 

Reuniãozinha, conhecer pessoas? Respiro fundo, contenho o instinto de procurar nas pessoas provas incontestes da nossa incompatibilidade, reservo um lugar na minha agenda e me programo para estar no melhor humor que eu puder. Não tem sido tão ruim quanto eu pensei. Quem sabe um dia eu me acostume, quem sabe um dia eu até goste.
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