Assim assim

Faz-se uma feira ou evento. Desses que recebem uma centena de pessoas por dia, que duram semanas. Essas pessoas gastam com entrada, com o que elas consomem e quem sabe até com estacionamento. Aí um dos organizadores decide dar um toque cultural e convida pessoas para dançar. Como palco, um canto sem stand, um tablado igual aqueles de escola, um chão mais elevado, o que tiver lá. Pro som, uma tomada. As escolas são contactadas para a grande oportunidade: venha dançar aqui, de graça, manhã-tarde-noite, de preferência todos os dias que durar a feira. Como retribuição, nós os autorizamos a colocar um banner e dizer o nome da escola. Oportunidade bem assim assim.
Não tem camarim, espelho, ensaio no palco. Muitas vezes, nem gente pra anunciar no microfone e avisar que vai começar. Se não tem nem pãozinho, que dirá um cachê. Sem tanta coisa, a escola precisa contar com o que tem. Pra dançar, vai quem se dispõe, os malucos que topam qualquer coisa. Experiência de palco, qualquer palco, é importante pra quem dança, mas nesse caso não dá pra cobrar ensaios. Muita gente se recusa porque não topa desse jeito, sem se preparar como deve. Pela carência de ensaio, não dá pra fazer nenhuma inovação, marcações difíceis no palco. A escolha da coreografia é feita com base em quem se dispõe, o que está fresco na memória e que não exige muito. Como figurino, o que a pessoa tem em casa. Com relação a tudo o que a escola e os bailarinos poderiam oferecer, a apresentação também fica assim assim.
Anúncios