Decidir

As pessoas não se dão conta, mas um dos maiores prazeres da existência é tomar uma decisão. Ter dúvidas é ruim, precisar decidir é péssimo, colocar uma decisão em prática é um pesadelo, já decidir… Decidir é ótimo. Decidir é uma onipotência, uma felicidade, uma realização. Decidir é olhar o mundo do topo, da montanha, russa ou de pedra, e olhar. Decidir é sentir que tudo foi colocado nos eixos, que sabemos exatamente o que fazer, que caminhamos para um lugar seguro. O momento da decisão é como um orgasmo mental. Decidir aquieta todos os pensamentos e diz para a mente parar de uma vez. Decidir é colocar peso nas coisas de maneira definitiva, é a interrupção de todo fluxo de argumentos. Antes de decidir há sofrimento, depois de decidir provavelmente há mais sofrimento, decidir é o bom. Decidir dá sensação de controle sobre a própria vida, o que talvez seja a mais ilusória das sensações. Talvez por isso que decidir seja tão bom, por ser tão grande a sua ilusão: decidir é controle e nunca controlamos nada. Decidir nos dá a impressão de que existe um rumo, sendo que a vida não tem rumo nenhum. Decidir dá a impressão de que sabemos o que estamos fazendo e que eliminamos o aleatório. Como se a vida pudesse ser um cenário, onde nada, nada do que está lá não tem sua razão de ser. Gostamos de pensar que tudo nos diz respeito e tudo nos dirá respeito. Decidir é a ilusão que nos permitimos porque qualquer ilusão é melhor que o caos.
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