Arrume três

Quando eu ainda morava com a minha mãe, e o meu quarto estava muito bagunçado, eu criei um método de arrumar três coisas de cada vez. É que quando a bagunça é demais, a gente nem sabe por onde começar e acaba nem começando, porque daria trabalho demais e consumiria muito tempo. O que eu fazia era me propor a arruma apenas três coisas. Cada vez que eu passava no quarto, arrumava as três coisas e pronto. Em pouco tempo, o meu quarto ficava arrumado sem que eu tivesse feito muito esforço. Hoje uso isso na minha casa. Sempre penso que, se fosse para ficar rica, deveria transformar essa ideia simples numa daquelas regras de sucesso. Ao invés de explicar o que eu faço em cinco linhas, eu deveria enrolar em mais de cem e escrever um livro. O meu livro, Arrume Três, seria uma proposta para revolucionar a vida dos leitores. Na capa, eu estaria de terninho e mostrando três dedos. Do insight genial no meu quarto, eu estenderia esse exemplo para o resto da minha vida e provaria por A + B o quanto aplicar o Arrume Três melhora para sempre as nossas relações no emprego, com os amigos, no amor, na família. Atribuiria o meu sucesso (ninguém precisa verificar se sou ou não) a isso. Arranjaria citações místicas e pesquisas duvidosas para justificar a escolha do número três. Criaria metáforas vergonhosamente óbvias entre bagunça e vida, não teria o menor escrúpulo em dizer o que as pessoas devem fazer. Contaria exemplos de vidas que foram revolucionadas por essa simples mudança de atitude. Venderia minha palestra a empresas, e nelas convidaria as pessoas a escreverem três problemas em três pedras e jogarem elas fora. O Arrume Três me faria rica e famosa.

Pra começar tudo isso eu só preciso de três trouxas. Alguém se oferece?

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