Os melhores

– “Filho”, eu diria, num daqueles vídeos ou relatos que a pessoa decide fazer para sua prole, ainda pequena, sobre como é a vida, depois que descobre que pode ser que não esteja mais aqui para passar para ele sua sabedoria banal sobre fatos do dia a dia- “deixa eu te transmitir uma verdade fundamental e infalível sobre os serviços. Os melhores profissionais que eu encontrei até hoje, sejam eles dentistas, acupunturistas, confeiteiros, esteticistas, pedreiros, astrólogos, lambedores de selos ou carpinteiros, não são os mais afamados. Nunca são aqueles que têm prédios de três andares só para si, com secretária de salto agulha numa recepção de mármore, não são os que usam turbante na cabeça e terno Armani, jamais serão o que precisam de meia hora de concentração e salamaleques antes de começar a fazer. Os melhores sempre são aqueles que um amigo indica, dizendo que faz muito bem feito. Nunca é o amigo das estrelas, o queridinho da alta sociedade, não procure por lá. Chegar ao sujeito realmente bom é por indicação, é quase como fazer parte de um clube fechado. Você contata o profissional com facilidade. Ele te atenderá normalmente, num lugar limpo e comum. Cobrará um preço honesto e fará seu trabalho. Tudo rápido e eficiente. A consciência do quanto aquele trabalho é bom vem depois, quando você ouve o quanto as pessoas pagam tão mais caro por serviços ruins, do quanto as coisas poderiam ter dado errado e não deram. E essas pessoas vão preferir continuar pagando caro, porque adoram os picaretas. Elas precisam dos prédios, do mármore e do Armani. Os picaretas fazem com que lhes paguem com gosto porque algumas pessoas são incapazes de aceitar que qualidade e simplicidade andem juntas.”
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