Controle mental

Eu meditei durante anos. Existem várias formas de meditar – de olhos fechados ou abertos, concentrando a mente em algo ou tentando deixá-la limpa, cantando e repetindo mantras ou em silêncio. Dizem que é importante ter um horário fixo, para já deixar a mente condicionada a entrar naquele estado sempre no mesmo horário. Como adolescente desocupada que era, conseguia meditar com poucas falhas todo final de tarde. Fiz esquisitices de me trancar na área de serviço porque nesse mesmo horário a faxineira estava no meu quarto e eu não podia deixar de meditar. Algumas vezes achei que estava alcançando resultados, que me concentrei e saí de lá uma pessoa melhor; na maioria, era como se tivesse dormido um sono confuso. A mente é comparada por muitos a um animal furioso, ou como tentar prender o vento. Fiz durante tantos anos e sinto que a minha continua tão furiosa e vaporosa quanto sempre. O que tem feito muito mais pela minha mente é a maturidade.

 

Não medito há anos, mas busco ainda o controle mental. Não mais aquele de que o misticismo fala, não mais o da mente vazia. Mas tão difícil quanto. Busco o controle de não mais me remoer. Eu tenho um tema, uma preocupação preferida, que suga o meu ser e me torna preocupada quase todos os meus dias. É o primeiro pensamento que surge quando abandono as necessidades básicas e os projetos mais urgentes, é o que ocupa a minha mente quando digo pra mim mesma que agora vou relaxar. Com tanto tempo dedicado a isso, é claro que eu já pensei, repensei, virei do avesso e cheguei, milhares de vezes, à conclusão de que nada posso fazer. Esse é o problema: nada posso fazer. Tenho que deixar rolar. Só o tempo pode decidir ou me ajudar. Continue a nadar. Acho que é isso que dói, é com isso que a mente não se conforma. Por não conseguir ficar parada, a mente começa a andar em círculos. Repeti o raciocínio muitas vezes e em todas concluí a mesma coisa. Talvez seja uma maneira de dizer: eu estou fazendo alguma coisa, eu não estou parada, estou me remoendo.

 

Não quero ficar com a mente vazia, não aquietar a mente. Quero pensar em tudo e qualquer coisa, menos no meu problema preferido. Será que é muito?
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