Imagens eternas

Não sei quanto a vocês, mas eu sei que certas imagens me perseguirão a vida inteira. Dizer que são imagens é uma maneira simplificada de defini-las – é o que vejo, o que sinto e o que sou. Se volto a elas, sinto a mesma coisa e me sinto a mesma pessoa que era naquele momento. Outra forma de dizer é: tem um pedaço meu registrado ali para sempre, aquele momento está congelado em outra dimensão. Tem as imagens trágicas: eu entrando na UTI do hospital Evangélico à procura do meu irmão, e quase passo por ele, que estava num leito à minha esquerda. Ele estava nu, coberto por um lençol branco e todo entubado. Outras são de pura euforia, como uma que aconteceu quatro anos antes da cena da UTI. Era quase meia noite, eu tinha 21 anos e olhava a cidade de Barcelona toda iluminada, desde o Porto. Estava com amigos portugueses divertidíssimos, o local era todo formado por baladas e eu estava apaixonada. Tudo à minha volta era jovem, alegre e exuberante.
Ser impressionada por essas imagens sempre me pareceu natural, inevitável. Até o dia que li isto:
Em 1991, Madonna dançou completamente nua para Al Pacino durante as filmagens de Dick Tracy. É o que diz a biografia autorizada do ator escrita por Lawrence Grobel. “É uma informação secreta. Ela estava fazendo uma dança nua por baixo de um robe. No final da música, ela ficou inspirada e o abriu. Que corpo extraordinário!”, contou o astro de O Poderoso Chefão em uma das inúmeras entrevistas que a biografia traz. “Um dia, quando eu ficar bem velho, enrugado e ainda estiver sorrindo, será porque lembrei dessa situação”, brincou. (daqui)
Por causa do Al Pacino, agora eu busco imagens em nome da velhinha que serei.
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