Artístico

O período que passei como artista me deu uma certa prepotência para julgar arte, admito. Não é qualquer crítica positiva ou unanimidade que me convence que algo é bom. Perdi a mística de quem está de fora, de quem acha que na arte tudo é feito em nome da arte. Sei dos bastidores, das escolhas que são feitas por ignorância ou comodidade, das disputas de ego, das limitações orçamentárias. Às vezes a única diferença entre a pessoa comum e o artista é a cara de pau do segundo, que não tem o menor pudor de apresentar algo ruim. Não sou tão convencida a ponto de achar que sei de tudo, que entendo tudo. Também não alimento a ilusão de que arte é sinônimo de belo e que o público precisa entender o que aconteceu. O que eu sei – e nesse ponto ninguém me engana – é que o trabalho bem feito prende, surpreende e encanta, mesmo que a gente não saiba explicar o porquê.
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