O escritor e a blogueira

Durante uma época, eu assinei os feeds e tinha na minha lista de blogs o blog de um escritor famoso. Era um blog recente e todos os comentários eram moderados pelo próprio. Digamos que a cada três comentários ele acabava respondendo um, nem que fosse pra mandar um abraço. Um dia ele publicou um texto que eu achei lindo de morrer; era um texto que falava de como ele, um homem, cresceu convivendo e admirando as mulheres. O texto vinha acompanhado de fotos de infância e era bastante auto-biográfico. Comentei o texto, elogiei, e pedi modestamente autorização para publicá-lo no meu blog – coisa que nunca faço – com os devidos créditos. Voltei no blog e meu comentário havia sido moderado, mas ele não respondeu uma linha sequer. Comentei a postagem seguinte e completei dizendo que eu era aquela que tinha pedido autorização pra publicar o texto anterior, e que tinha entendido o silêncio dele como um não. Novamente, meu comentário foi moderado e ele não se dignou a me dizer nada… Me aborreci com a atitude, tirei o blog da minha lista e nunca mais apareci por lá.

Conto isso porque percebo que os blogs (e meios virtuais em geral) oferecem uma relação diferente com o leitor. Um escritor tradicional recebe feedback das críticas especializadas, do número de edições, dos comentários de amigos. Pra um leitor se dispor a escrever para o autor, ele precisava estar realmente muito motivado – pro bem ou pro mal. Nesse aspecto, é mais fácil ser escritor do que blogueiro, porque as repercursões de um livro são mais lentas e distantes. Aqui, tudo é tão rápido que às vezes a pessoa que te mandou um comentário nem leu direito o que você escreveu. Assim como a gente, blogueiro, chega a se irritar com algo que na verdade nem era ofensivo, apenas diferente do que esperávamos. Sem falar das pessoas que se aproveitam do anonimato para liberarem seu lado mal educado…

Nessas alturas, o Escritor Famoso já deve ter descoberto que é comum um blogueiro citar o outro; e daí que ele ganhou um prêmio Jabuti e eu estou desempregada? Essas coisas não entram em questão aqui. Deve ter descoberto também que na verdade eu fui muito gentil, porque pedir permissão nem seria necessário; citar alguém é aumentar o prestígio e o número de visitas de um blog. Muita gente que age de má fé e se apropria dos textos sem citar a fonte; o que eu nem poderia fazer, porque era um texto do ponto de vista masculino. Ou seja, espero que ele já tenha aprendido a ser blogueiro, e não apenas um escritor famoso que tem um blog.

7 comentários sobre “O escritor e a blogueira

  1. lendo seu texto, lembrei de uma coisa minha com blogs e blogueiros,
    que eu às vezes crio umas ligações que só partem do meu lado.
    tinha esse blog, e eu fiquei obcecada, e tentava fazer diferença, também era moderada e nunca respondida.
    um dia me irritei também, peguei nojinho, e sei lá… aí me lembrei que eu sou uma das que não responde na caixa de comentários, como muitas outras pessoas fazem – se bem que eu vou até o blog do comentarista, leio seu post, comento, e me apresento… se a pessoa voltar, eu vou voltando e pronto: relação.

    mas eu fico meio triste de 'não fazer diferença' e me afastar de coisas que eu gosto porque o blogueiro-alvo diz que fica contente com as visitas de maneira tão genérica, mas nunca se digna a dizer um oizinho.

    esquisito, né?
    mas tudo bem, eu sei que a louca sou eu. 😛

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  2. Eu acho que eu sei quem é o Escritor em questão… kkkk! Eu acho que quando postam algum comentário lá no blog que fazem um pergunta eu tento respoder. Algumas vezes eu tenho até a impressão que eu discuto demais com os leitores. E em geral se eles discordam ou acrescentam algo aquilo que eu falei eu acabo dialogando mais. No entanto é coisa mais legal do blog é esse diálogo. Sempre que tem um texto de alguém que me inspirou uma idéia. Eu acho que eu procuro passar para os leitores no texto, por que eu penso que se foi legal para mim, pode ser que outras pessoas também consigam ver algo de bom naquele texto.

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  3. Você abordou uma questão fundamental no mundo digital, tudo é de todos e igual (as rimas da garota!). Quando comecei a blogar no blog maternal, que na verdade foi meu rascunho para essa nova atividade, melhor, novas: blogueira e mãe, sempre tive o cuidado não somente da citação das fontes, de se dar os devidos créditos, como da própria veracidade da informação, pois isso está no sangue e na atividade exercida há anos como jornalista. Mas, percebi, que até nos blogs ditos informativos, eles se alimentam de outros blogs e o leitor nem deve ter a dimensão da origem daquela fonte. Efeito dominó, ninguém mas sabe quem deu o teco na primeira peça…
    Essa apropriação indébita pode ser considerada democrática, caso o bom senso, senso de ética, numa linha muito tênue, porém visível para quem tem ainda um pingo de caráter, possa ser usada de forma sábia. Contudo, acho que nos deparamos com algo quase incontrolável, a velocidade da informação. Tá, não é desculpa, mas mesmo blogando, a gente está no ato contínuo da criação, assim como nos comentários e assim caminha a Humanidade…

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  4. Hum, depois me lembrei de outra coisas que também me instigou o espírito de escrever mais para o blog foi quando o Cardoso abriu espaço num campanha do HSBC, onde os leitores davam resposta e tals e acabaram sendo publicadas duas respostas minhas nessa série de artigos e tal. Eu lembro que eu fiquei super contente de ver uma opinião minha sendo selecionada num blog que tem a quantidade de acesso que o Contraditorium. Eu acho que acabou sendo super o contrário dessa sua experiência traumática.

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